terça-feira, 10 de janeiro de 2012

NATAL - SÍMBOLOS E TRADIÇÕES - PARTE II - OS TRÊS REIS MAGOS

COMO OS TRÊS REIS MAGOS RECEBERAM O CHAMADO DA ESTRELA DE JESUS

Baltazar, Melquior, Gaspar, três homens que não se conheciam e que viram a estrela, entendendo a sua mensagem. Três homens que viram, através de sonho, o Rei-Menino, pleno de sol e majestade.

Baltazar e a decadência espiritual de seu povo

O reino de Baltazar era num país muito distante de Jerúsalém, do lado onde nasce o Sol.  Há muito morrera o último sacerdote do templo, que jazia em ruínas. Baltazar sempre pedia para o vigia da torre do castelo avisar quando as noites eram particularmente claras, com as constelações bem nítidas - ele então ficava horas a fitar o céu, à espera de um sinal que ele, em sonhos, sabia que viria. Mas nada nunca se revelava.
Seu povo estava triste, em decadência espiritual.
Um dia, ele contou sua visão ao jovem vigia da torre, visão essa de que o último sacerdote havia lhe falado:
"Não esqueças o que te digo agora: uma nova era vai se iniciar na Terra. A era dos antigos templos terminará. Em noites escuras há de nascer uma nova luz. São desconhecidos a hora e o local desse evento." E continuava  o rei: " há pouco tempo, tive um sonho, onde vi uma criança, que parecia envolta em ouro e brilhante como o sol. Ela me disse ' Quando me vires na estrela, a Hora estará próxima!' Desde então busco todas as noites algum sinal no céu", concluiu o rei ao vigia.
Uma noite Baltazar resolveu ir sozinho até o templo abandonado. De repente sentiu uma grande luz e um maravilhoso perfume de incenso que se desprendia dos campos, e ele ouviu a voz da criança, que vinha de uma imensa estrela no céu, dizendo: " aproxima-se a Hora! Eis-me aqui!"
Ordenou aos criados que preparassem o mais veloz dos camelos  e partiu seguindo aquela estrela.  Como presente, levava um dos últimos incensos preciosos que lhe restara, da época do templo. Logo o vigia viu seu rei e o camelo desaparecendo no horizonte. A lua descia por trás do morro do templo e no oriente a aurora começava a tingir o céu.

MELQUIOR E SEU PAÍS DESTROÇADO PELA GUERRA

No sul do Oriente reinava Melquior.Há muito as querelas e litígios intranquilizavam o país; ao norte, guerreiros estranhos invadiram as terras; as regiões férteis orientais estavam totalmente destruídas; ao ocidente, guerras fratricidas haviam irrompido, molhando de sangue a terra; tribos selvagens nômades roubavam ao sul tudo que conseguiam agarrar. Ninguém mais estava seguro.
Melchior não sabia como resolver a situação e convocou todos os nobres da região para uma reunião.
Naquela noite, Melquior teve um sonho: sentado sozinho no salão, ele esperava pelos nobres que não apareciam. As figuras dos brasões  que ornavam os espaldares das cadeiras do salão tomavam vida e devoravam um banquete. Urso, leão, águia, falcão atacavam a comida.  Uma cadeira tinha um brasão com o relâmpago e outra com uma estrela cadente.  De repente, a estrela saiu do brasão e circulando por toda a sala fez com que tudo voltasse ao normal.
No dia seguinte, enquanto os criados preparavam o salão , um imenso lustre de cristal em forma de coroa, acidentalmente partiu-se espatifando-se no chão e matando um criado. O rei interpretou isso como um segundo sinal. Os servos, para iluminar a sala, cortaram uma árvore e a encheram de velas. O rei interpretou essa criatividade como uma imagem da árvore da vida.
Chegou o momento da grande reunião. Os nobres estavam cheios de ira e queriam mais e mais violência, leis mais duras, mais armamentos, mais soldados e espadas. As vozes pareciam como no sonho que tivera, cada vez mais altas e ferozes. Mas Melchior estava longe, tendo uma visão: olhando para a sua taça de ouro, viu que o fundo da taça se abria formando uma pequena caverna. Nesta, estava uma criancinha, que tinha uma estrela por cima de sua cabeça.  Ela saudava Melchior: " segue esta estrela, Melchior, pois ela trará à Terra à verdadeira paz."
Os nobres, pensando que Melchior tivesse adormecido, deixaram a sala achando que ele não tinha mais vigor para tomar uma decisão forte.  Melchior então levantou-se, foi até a janela e lá estava a estrela que brilhara no fundo da taça, agora brilhando no céu. Melchior tomou o vinho da taça e sentindo-se revigorado, decidiu empreender uma longa viagem, em busca dessa criança. Pensando tratar-se da filha de um rei, pegou a taça de ouro para levar como presente. Partiu ainda de noite, deixando um recado para os nobres que voltassem para a suas regiões, pois havia recebido uma mensagem de que em breve haveira paz na  Terra.
Quando os nobres souberam do acontecido, voltaram contrariados, mas tiveram a surpresa de constatar que o povo, sozinho, havia se organizado, reconstruido as aldeias queimadas e cultivado o solo.Todas as lutas pareciam esquecidas.

GASPAR E A SECA NO SEU PAÍS


Vivia na África um rei negro chamado Gaspar. O Sol queimava sua terra e muitas vezes passavam-se meses sem que uma única gota de chuva caísse do céu.  Nas regiões áridas não era possível nenhum tipo de vida, mas havia um rio que foi dividio em canais e que alimentava o povo e as colheitas.  Ali cresciam frutas saborosas: tâmaras, bananas, laranjas, figos. O rio nascia nas montanhas e passava bem no centro do país.
Na época da lua cheia, era costume do povo negro abençoar a água do rio, e dar graças ao deus do rio pelas dádivas que cresciam do solo úmido.  Em tempos de seca, Gaspar ia com o povo para as margens do rio, orar e pedir água. Quando tornava a chover, agradeciam aos céus dançando e cantando.
Então, veio a pior seca: os animais morriam, as árvores ressecaram,e doenças e febres matavam milhares de pessoas. Um único lugar ainda tinha água: o chafariz do rei Gaspar, que abriu seus portões para o povo, deixando que aliviassem sua sede no poço especialmente profundo. A seca continuava, e a água do poço estava chegando ao fim.
Naquela noite, Gaspar teve um sonho: ele ia ao poço, ver a situação da água, e se debruçava perigosamente, caindo lá dentro. Na queda, ele se agarrava ao único pé de mirra que havia em todo reino, que nascia exatamente dentro do poço, devido à umidade. Ao agarrar-se, via água brotar do poço, e uma estrela com uma criança adormecida.
No dia seguinte, Gaspar levou seu povo ao pé da montanha, e orou com muita força. Nuvens se formaram, e sobreveio uma grande chuva. Em meio à chuva, era visível uma imensa estrela , no topo da montanha, semelhante à que Gaspar vira no seu sonho.
Gaspar pegou entre seus tesouros um lindo bauzinho e foi até o pé de mirra, último arbusto vivo, dentro do poço, e arrancou alguns galhos da resina aromática. Avisou seus ministros que ficaria um tempo afastado, empreendendo uma longa viagem. E assim, seguiu a estrela.

OS TRÊS REIS SE ENCONTRAM

Os três reis chegaram perto da cidade de Jersualém, governada pelo rei Herodes. Estavam cada vez mais perto uns dos outros, sem se dar por isso. Ao se aproximarem do monte Gólgota, uma neblina misteriosa
tomou conta de tudo, tão densa que impedia a visão do caminho e a luz da estrela. Eles apearam de seus camelos e esperaram, sentindo uma estranha tristeza. Anos mais tarde, uma crucificação aconteceria ali...
Ao amanhecer, a neblina se foi e lá estavam eles, um na frente do outro. Três reis viajantes! Cumprimentaram-se, cada um falou de si e entenderam, admirados, que estavam seguindo o mesmo sinal, a mesma estrela, procurando a mesma criança. Abraçaram-se, felizes.
Mas eis que não viam mais estrela nenhuma. Preocupados, pensaram que talvez estivessem bem perto do seu destino, e se dirigiram para o castelo do rei da cidade próxima, Jerusalém.

O SONHO DE HERODES

Enquanto isso, Herodes se debatia na cama, tendo um terrível pesadelo. Ele sonhava que um poderoso rei estrangeiro invadia seu  país e seu exército era derrotado fragorosamente. Só que não se viam armas na mão do exército inimigo, e sim luzes poderosas, que aniquilavam qualquer resistência, qualquer vontade de lutar.Ele queria erguer-se e fugir, mas as forças o abandonavam. Um rei desconhecido vinha em sua direção, irradiando muita luz. Todo seu exército estava destroçado. Em pânico, ele acordou, suando frio. "Que poderia significar esse sonho matinal tão terrível?" "Quem seria esse rei misterioso?"
Um servo anunciou que três reis de países distantes estavam no palácio, querendo falar com ele. Herodes desceu desconfiado.
Entrando nos aposentos, os três reis reverenciaram Herodes e perguntaram se algum novo rei havia nascido ali. " Nós vimos sua estrela, e ela nos conduziu até aqui", disseram. Ouvindo isso, o medo de Herodes se amplificou. Mandou chamar os letrados e sábios do reino, mas nenhum sabia nada sobre a chegada de uma criança como os reis procuravam. Um deles, porém, se lembrou que os livros antigos falavam da vinda de um Messias, que nasceria em Belém.
Nada denunciava as intenções de Herodes, quando aproximando-se dos reis, declarou:  "Ide e procurai, diligentes, pelo Menino; quando o tiverdes encontrado, voltai ao meu palácio e informai-me ondo posso encontrá-lo, pois quero ir também venerá-lo." O seu coração, porém, estava em fúria, prometendo destruir a criança assim que a encontrasse. Certamente essa criança tinha a ver com o seu sonho mau. Os três reis constataram que, assim que saíram das imediações do palácio, a estrela aparecia novamente, orientando o caminho, conduzindo-os a Belém.

OS TRÊS REIS ENCONTRAM A CRIANÇA

A estrela parou sobre um estábulo, num campo diante de uma gruta. Seu brilho aumentou. Os reis perceberam a pobreza do local, mas apearam de seus camelos, entrando no estábulo. Uma luz divina iluminava o ambiente. Viram a criança e a mãe, envoltas em luz. A alegria foi tão grande que caíram de joelhos, beijando o chão. Melquior pegou a taça de ouro e disse: "até hoje somente reis beberam nesta taça. Agora ela será iluminada pela tua luza. Aceita o ouro!"
Baltazar em seguida entregou o incenso dizendo: "criança divina! Trago-te o incenso, do mesmo que era queimado nos rituais sagrados do velho templo da montanha. Abre-nos uma nova era!"
O rei negro, Gaspar, ofereceu a mirra dizendo: " Menino da Estrela" aceita a mirra que nasceu no poço que continha a última água. Sob tua luz, a fonte da vida vai recomeçar a fluir!"
Os três reis então entraram em transe e viram tudo o que aconteceria daí por diante. Suas almas elevadas assistiram a sermões, a vida de Cristo, sua crucificação e morte, e a ressureição no terceiro dia. Quando se levantaram, eram homens diferentes. Despediram-se e sentiram que agora a luz da estrela estava nos seus corações. Retornando a Jerusalém, pararam para descansar antes de falar com Herodes, sobre o encontro da criança. Mas um anjo apareceu aos três, em sonho, e lhes disse que não voltassem ao palácio de Herodes, pois ele tencionava fazer mal à criança. Afastaram-se, então, e dizem os livros antigos que os reis levaram as boas novas aos seus países, partindo depois para um retiro espiritual no alto das montanhas, vivendo ali em fraternidade.




fonte:  Os Três Reis e o Quarto Rei - Jakobb Streit - edições Waldorf -
          Natal - Biba Arruda e Mirna Grizich - Editora Tres
Música:  Corre Caballito - Youtube

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

NATAL - SÍMBOLOS E TRADIÇÕES- PARTE I - AS ORIGENS DO NATAL

As tradições e os símbolos do Natal cultuados hoje em dia tiveram origens tão diversas quanto pitorescas e constituem, sem dúvida, os melhores presentes que a humanidade já recebeu. Esta, nem sempre lhes tem apreendido a mensagem: fraternidade e compreensão entre os homens, sob a proteção d'Aquele que renasce anualmente, para a tarefa de apaziguar um rebanho em constante luta fratricida, na busca vã e inútil de novos deuses.

O Natal sempre foi a grande noite do ano. Afinal, significa quase um final de ciclo, uma linha de chegada para os seus projetos sonhados, o momento da reunião de toda a família, a troca de presentes, a arrumação da árvore, a preparação da comida...
É uma festa para a qual as pessoas se mobilizam, se preparam...Ainda que tenha hoje um apelo comercial, fica uma coisa coletiva, o famoso "espírito de Natal", que contagia a todos, ricos e pobres. É a celebração do ano em que se enfeita a casa, as ruas, a cidade, e as pessoas querem exteriorizar o belo...Quem sabe esse não é um caminho para encontrar o belo interior?
No Natal, as coisas alegres ficam mais alegres, e as tristes, mais tristes ainda. Como era o seu Natal, quando você era criança? Que lembranças você tem? O que é mesmo que estamos comemorando no Natal? Qual é o verdadeiro significado dessa festa? E o que é afinal, o tal do espírito natalino?
O verdadeiro espírito do Natal é a união, celebração, bondade, perdão, confraternização.

AS ORIGENS DO NATAL

Nas línguas latinas o vocábulo Natal deriva de Natividade, ou seja, referente ao nascimento de Jesus. Em
inglês o termo utilizado é Christmas, literalmente " Missa de Cristo ". Já na língua alemã, é Weihnachtem e tem o significado  " Noite Bendita". 
Tudo começou na Antiguidade, com os festivais pagãos de meio-de-inverno dos Escandinavos e Celtas; depois, com as Saturnálias dos Romanos. Durante sete dias, os romanos viravam tudo de cabeço para baixo: patrões serviam escravos, homens se vestiam de mulher, e mulheres se vestiam de homem. As cortes eram fechadas e ninguém podia ser preso, até a jogatina era legal.
A Saturnália penetrou na Inglaterra nas costas dos soldados romanos invasores, transformando-se na Festa dos Loucos, onde tudo era permitido.
No mundo romano, a Saturnália, festividade em honra ao deus Saturno, era comemorada de 17 a 22 de dezembro; era um período de alegria e troca de presentes. O dia 25 de dezembro era tido também como o do nascimento do misterioso deus persa Mitra, o Sol da Virtude.
Mais de mil anos depois, o puritanismo custou muito a aceitar celebrar o nascimento de Jesus nessa época do ano, pois não se admitia que uma festa pagã fosse apropriada pela própria Igreja, e transformada em data sacra.  Mas era isso mesmo que a Igreja queria: para popularizar a Christ Mass, a missa de Natal, em louvor ao nascimento de Jesus ( daí o nome em inglês do Natal, Christmas), permitiram que ela passasse a ocorrer nas datas das antigas celebrações de Solstício de Inverno, que em todas as tradições do hemisfério norte do mundo exisitam, onde os povos, em tempo de rigoroso inverno, louvavam o Sol com grandes fogueiras, bebendo e comendo, pedindo seu breve retorno, pois sem o Sol, não há agricultura nem florescimento na natureza; tudo é escuro e triste, e a terra parece congelada, presa das forças da escuridão.
As Saturnálias romanas eram em louvor a Saturno, deus da agricultura. .
Muito antes disso, na Pérsia, havia o sacrifício do boi, duzentos anos antes do nascimento de Cristo. Era o culto de Mithras, e acreditava-se que ele havia nascido a 25 de dezembro de uma mãe virgem, numa caverna. Como Cristo, ele teve doze companheiros, e de igual maneira, morreu e renasceu.
Mas Mithras não foi o único deus antigo cuja vida lembra a de Jesus. O deus grego Apolo, o deus babilonio Baal, e os deuses egípcios Osiris e Horus ( nascidos a 26 e 27 de dezembro, respectivamente) também são associados à adoração do Sol. O deus indiano Krishna também nasceu numa caverna, com uma estrela brilhando acima dele. Houve um atentado visando matar Krishna quando criança e um massacre de infantes chegou a ser ordenado, tal como no caso de Herodes no tempo de Cristo.
Os judeus tinha no Hanukkah a sua celebração do solstício de inverno. Como o Natal, o Hanukkah acontece nos dias mais escuros do inverno ( hemisfério norte), sendo também tempo de brincadeiras e presentes. É também a celebração da luz, simbolizada pelas velas do candelabro de oito ramas. Daí o costume da tocha de Natal, que devia queimar durante doze dias, sem ser jamais apagada, em todo o norte da Europa.  Um costume que vinha dos druídas, antigo povo celta, de queimar uma tora de madeira durante doze dias ininterruptos. Se a luz se apagasse, significava a vitória do mal contra o bem.
Na época vitoriana, começaram a aparecer os cartões de Natal, um mais lindo que o outro.Assim com os vitorianos foram os responsáveis pelo renascimento de toda uma arte angelical, também assim fizeram  em relação ao Natal. Hoje, no mundo inteiro, luzes e mais luzes tremulam nas árvores, seja em Nova Iorque ou em São Paulo.
Ninguém sabe ao certo se o aniversário de Jesus acontece mesmo no dia 25 de dezembro. Astrônomos e estudiosos de astrologia tentam entender se o que houve naquela época foi uma conjunção dos planetas Saturno e Júpiter, o aparecimento de um cometa ou a explosão de uma supernova. Teorias mais correntes dizem que houve uma conjunção dessa magnitude 7 anos antes do nascimento de Jesus. Isso significaria que estaríamos 7 anos atrasados.  Outras teorias dizem que Jesus deve ter nascido em maio ou em agosto, meses mais quentes, justificando o fato de pastores estarem fora com suas ovelhas, o que jamais aconteceria no inverno.
Tenha nascido em maio, agosto ou dezembro, Jesus Cristo é o homem mais importanto do nosso tempo, um divisor de águas da humanidade. Seu nome vem da versão em grego de Joshua ou Jeshua, que significa
"salvador".  Cristo é a tradução grega para o hebreu " messiah", ou "escolhido".

Fonte: Natal - Biba Arruda e Mirna Grzich - Editora Três
           Símbolos de tradições do Natal-  A Gazeta de S. Paulo - 21/12/1961
           Imagem: google

domingo, 30 de outubro de 2011

UM POUCO MAIS SOBRE INSTRUMENTOS MUSICAIS - SUAS HISTÓRIAS, SUAS FUNÇÕES

A água correndo por um riacho; o vento inclinando as folhas; o fogo alastrandos-e pela floresta; a chegada da primavera; a paixão de um homem por uma mulher; a trágica morte do ser amado; a alegre comemoração de um casamento. Os exemplos seriam intermináveis, e o mais surpreendente é que todas estas impressões podem não ser transmitidas por palavras, mas sim por SONS. É a magia da música, "uma outra vida dentro da vida", como disse Balzac. Seu poder é reconhecido: ela é capaz de influenciar ou entusiasmar, de nos alegrar ou entristecer; de despertar ternura ou agressividade.
E, para transmitir toda a gama de emoções experimentada pelo compositor, no momento da criação de sua obra, é preciso que o instrumento musical seja adequado. A função deste é passar, para quem ouve, fatos, pensamentos, sentimentos, impressões - às vezes toda uma história - concebidos pelo autor.  Não se pode, por exemplo, tocar uma música sacra com uma guitarra elétrica, assim como um violino não transmite corretamente as vibrações do jazz. Este tipo de música exige clarinetas, trombones, baterias e outros instrumentos que vibram. Músicas etéreas devem ser tocadas com harpa; as medievais ficam perfeitas com flauta; as sensuais ou melancólicas adaptam-se melhor a instrumentos de sopro, que despertam a idéia de calor. Já o sonho, o lirismo, as emoções mais sutis encontram ressonância impecável nas cordas de um violino.
À medida que a música se aprimora, nessa passagem de sentimentos e sensações, os instrumentos vão ficando mais requintados e aperfeiçoados. A era atual criou o órgão eletrônico, capaz de reproduzir os sons de quase todos os instrumentos, bastando para iso mudar seus registros, programando-o como se faz com um computador. Milênios se passaram para se chegar a este ponto. Escavações arqueológicas feitas no século passado, nas décadas de 50 e 60 , em Mezin, na Ucrânica, revelaram a existência de instrumentos musicais da era paleolítica, com cerca de 20 mil anos. Entre eles, chocalhos de marfim, "pulseira sonora", martelo de chifre de rena e outros feitos com ossos de mamute.
No Ocidente, há indícios de que desde os fins do Império Romano já existiam orquestras, embora só depois do século XVI é que elas começaram a ter as características das atuais. Apenas no século XVII é que os violinos passaram a fazer parte dela, especialmente nas igrejas e, progressivamente, seu número de instrumentos foi aumentando.
No século XVIII, uma orquestra pequena, comum, era constituída por dois violinos, dois oboés, duas trompas e dois contrabaixos. Harpas, flautins, corne inglês, bombo e pratos passaram a integrar as orquestras no século XIX. Beethoven aumentou o número de instrumentos e Wagner criou dimensão maior: a quantidade e a variedade deles passaram a ser quase as mesmas usadas atualmente: violinos, flautas, flautins,clarinetes, trombetas, trombones, bateria e outros.
No século XX,  a orquestra, em geral, passou a ser dividida em quatro grupos de instrumentos: os de corda, os de sopro de madeira; os de sopro de metal; os de percussão. Cada grupo tem um naipe que imita a voz humana. O violino possui o som do soprano; a viola, do contralto ( ou alto); o violoncelo, do tenor, o contrabaixo, do baixo. Uma exceção é o flautim que vai além desses sons e atinge um tom muito raro, correspondente ao sopranino.
Uma sinfônica ou filarmônica, geralmente, compôe-se de cerca de cem instrumentos; uns sessenta de corda; uns quinze de madeira; uns doze ou treze de metal e uns dez ou doze de percussão. Mas já houve e ainda existem orquestras bem mais numerosas. Fantástica, mesmo, foi a dirigida por John Strauss, em Boston, no Dia da Independência. Cerca de 10.000 músicos acompanharam quase 20.000 cantores com cem sub-regentes transmitindo o comando de Strauss para os milhares de executantes.

Um pouco da história e das funções dos principais instrumentos que compõe uma orquestra

Instrumentos de corda: Violino, Viola, Violoncelo, Contrabaixo e Harpa.
Eventualmente entra o Piano, instrumento de corda e de teclado, assim como o Órgão

VIOLINO


Tem quatro cordas e um arco e, para ser tocado, é mantido sob o queixo. Geralmente é o responsável pela melodia, pelo solo. Quase sempre é o grupo mais numeroso da orquestra, e de som mais agudo - só superado pelo flautim.
Stradivarius produziu os melhores exemplares e seu nome é sinônimo de perfeição nesses instrumentos. Os poucos com esta marca, ainda existentes, são considerados raridades.
Acredita-se que o violino surgiu no século XVI, com as características atuais, embora já existisse em outras formas. Há quem ache que ele é descendente do alaúde, instrumental árabe de origem remota.
Um dos mais famosos virtuoses do mundo foi Niccolo Paganini, falecido em 1840.

VIOLA


Um antigo tipo de violino, um pouco maior e com som mais profundo do que este. De timbre muito expressivo, chamado de "alto",  pelos franceses, provavelmente por reproduzir este tom da voz humana. Consta que esse instrumento é uma variante de outros da época medieval, tais como a "viola do amor" que esteve no auge durante o século XVII e o rabel, um instrumento semelhante na forma e no som, que era tocado pelos pastores, enquanto trabalhavam.

VIOLONCELO


Tem quatro cordas e arco. Até há alguns séculos, era usado com acompanhante, mas a partir de Beethoven muitos compositores deram-lhe destaque, especialmente para expressar, em solo, a música dramática.
Pablo Casals foi o maior violocenlista dos últimos tempos.


CONTRABAIXO


Instrumento de cinco cordas e arco, da família dos violinos, violas e violoncelo. É o maior de todos e o de tom mais grave. Por volta do século XVI era usado em igrejas com o nome de violão. Foi levado às orquestras no século XVIII. Seu papel principal é reforçar os baixos da orquestra.
Mozart, Wagner, Berlioz e outros compositores elevaram o contrabaixo à categoria de instrumento solista, em diversas obras, por sua capacidade de produzir notas profundas, fortes de grande potência.


HARPA


Um dos instrumentos de corda mais antigos. Foram encontradas representações da harpa nas necrópoles de Tebas no século XVIII a.C. Ainda conserva a forma original, embora tenha aumentado de tamanho. Era usada suspensa no pescoço por uma grande correia ou cinta. No começo do século XVII de nossa era, já era tocada na Itália.  Erard, seu aperfeiçoador ( hoje marca principal deste instrumento, na França), construi-a com 47 cordas e sete pedais - como é conhecida na versão atual.

PIANO


A não ser que se trate de um solo, no qual ele tenha o papel principal, só raramente o piano é usado na orquestra. Há quem o inclua na categoria de instrumento de corda e teclado, assim como o órgão. Este é muito pouco utilizado em orquestra e, em sua visão convencional, está associado à música sacra. Mas, como foi dito, em sua versão atual é capaz de reproduzir quase todos os sons de uma orquestra.



Instrumentos de sopro de madeira: Flauta, Flautim, Oboé, Corne Inglês, Clarinete, Clarinete baixo, Fagote, Saxofone.

FLAUTA



Originou -se na antiguidade. Até o Renascimento havia três tipos diferentes. Atualmenté, é composta por um tubo que pode ser dividido em três partes.  O instrumento também é chamado de flauta transversa.
Alguns compositores, como Mozart e Bach, escreveram sonatas e concertos especialmente para flauta.

FLAUTIM


É o instrumento mais agudo da orquestra moderna. Pertence à família da flauta. Seus sons mais agudos, altos e firmes, servem especialmente para descrever cenas fantásticas, barulhentas, movimentadas.


OBOÉ



Diferente da flauta e de outros instrumentos de sopro, por possuir palheta dupla. Sua origem é antiga, e alguns de seus modelos primitivos aparecem desenhados em monumentos egípcios. Nos  séculos XVII e XVIII, era usado para animar danças. Seu volume de som e seu timbre fizeram com que fosse muito adotado em óperas e em algumas obras de Bach e Haendel. Desde Schumann, é um dos instrumentos preferidos pelos compositores.


CORNE INGLÊS

É uma variedade de oboé. Seu mecanismo é igual ao deste, mas tem tubo mais comprido e largo. Incluído excepcionalmente em orquestras sinfônicas, quase sempre em solo.
Berlioz considerava-o o melhor dos instrumentos de sopro, para comover ou evocar imagens do passado.

CLARINETE



Consta que foi inventado por Denner, de Nuremberg, entre os anos de 1670 e 1700, tendo sido um aperfeiçoamento da antiga charamela usada pelos pastores. A partir de 1750, começou a ser incluído nas sinfônicas. Há varios modelos deste instrumento.
Mozart foi o primeiro compositor a aproveitar todos os recursos que ele oferece. Beethoven empregou-o na maior parte de suas composições e Berlioz deu-lhe um papel importante em   " Queda de Tróia". A "Valsa de Chopin" utiliza 24 clarinetes.
Existe também o instrumento de metal ( hoje, quase todos os de sopro são feitos nos dois materiais), mais adotados nas bandas militares.



                                                 Clarineta de Metal


CLARINETE BAIXO



É uma das variações do instrumento e produz tons mais graves que o anterior. Diz-se que foi criado pelo italiano Papalini, embora muitos achem que quem o inventou foi o alemão Greuser em 1793. Geralmente é usado em orquestras grandes e obras modernas.

FAGOTE


O fagote possuiu palheta dupla e é parecido com o oboé, no modo de soprar. Tem grande força de expressão, nos tons mais baixos, enquanto os mais altos podem produzir um efeito cômico.
Começou a participar das orquestras a partir do século XVII.

CONTRAFAGOTE


Com um tom mais baixo do que o fagote, é semelhante a este instrumento, mas aparece principalmente em orquestras grandes e obras modernas. A princípio, só utilizavam em bandas militares, na Inglaterra.

SAXOFONES


( soprano, alto, tenor e baixo): foram inventados pelo belga Adolphe Sax, em 1838 e tiveram grande aceitação por parte de Berlioz, mas não conseguiram um lugar de destaque na orquestra sinfônica, e quando aparecem é em geral como solistas.
Foram introduzidos com sucesso no jazz, sendo um de seus instrumentos principais. Firmaram-se também nas bandas militares de vários países. Seu manejo é semelhante ao do clarinete.


Instrumentos de sopro de metal: Trompa, Trombeta, Trombone, Tuba

TROMPA



de latão, bronze, cobre, prata ou outro metal - como a maioria de instrumentos de sopro feitos desse material - ela é formada por uma boquilha e um tubo enrolado, que termina num pavilhão aberto. Seu mecanismo de pistões permite que emita todos os graus da escala de sons. Descendente da trompa de caça, esta versão moderna tem um som belíssimo e é importantíssima na orquestra.
Haydn e Mozart deram-lhe destaques em vários de seus concertos e sinfonias, mas quem a utilizou com brilhantismo foi Wagner.


TROMBETA


Existe desde a antiguidade, quando era feita de cornos de animais, conchas ou tubos vegetais. Atualmente, com um sistema de pistões, emite todas as notas da escala o que lhe possibilita muitas variações.
Importante na orquestra, foi incluída nesta depois do século XVI.

TROMBONE



Geralmente de cobre, é formado por um tubo cilíndrico e varas corrediças, que transformam a altura dos sons. É um instrumento muito antigo, que tem sonoridade nobre e potente, mas também pode ser doce.
Há três tipos: o trombone contralto, o baixo e o tenor. Este último é o mais usado. Existe ainda o trombone de pistões ( estes substituem as varas).

TUBA



O maior instrumento de sopro; o de som mais grave e profundo. Existia no tempo dos antigos romanos, mas não na forma atual. Era, então, comprida e reta. A forma que tem hoje data do século XIX.
Wagner mandou construir um quarteto de tubas, com modificações, para suas representações em Bayreuth. Ficaram conhecidas como  as " tubas de Wagner."


Instrumentos de Percussão: Bombo, Pratos, Tambor, Timbales, Triângulos e outros

BOMBO




um tambor imenso, que produz os sons sob o impacto da batida de uma ou duas baquetas ( varas) de madeira. Já existia na antiguidade, em proporções ainda maiores. O instrumento era tão grande que exigia duas pessoas para tocá-lo: uma carregava-o nas costas e a outra dava os golpes com as baquetas.
Alguns autores afirma que foi Rossini quem o introduziu na orquestra; outros dizem que foi Spontini.

PRATOS





Este instrumento também chamado de Címbalo, nasceu no Oriente, e é formado por dois discos de metal ( liga de bronze e estanho). Quanto mais grossos seus pratos, mais agudo seu som;  quanto maior seu diâmetro, mais grave a sonoridade. Os pratos são tocados com uma baqueta ( pequena vara de madeira) de tambor.
Em a "Queda de Tróia", Berlioz conseguiu um efeito surpreendente, comovedor, com tremidos de címbalos.

TAMBOR


Bem menor do que o bumbo, este instrumento de percussão é tocado com dois pauzinhos, que ao baterem numa membrana de pele produzem as vibrações.
Originário do Oriente, apareceu na Europa em fins da Idade Média, mas desde a antiguidade já era conhecido.

TÍMBALES



conhecidos desde a antiguidade, são formados por uma caixa semi-esférica de cobre, com a parte de cima revestida de pele de animal. Sempre são usados dois ou três deles. Podem ser afinados com exatidão e de várias maneiras, durante a execução - o que não ocorre com os outros instrumentos de percussão.

TRIÃNGULO


composto por uma vara de aço, dobrada em forma triangular, com um dos ângulos aberto. É tocado com um pequeno martelo de metal.  O triângulo-  assim como os pratos, o gongo, as castanholas e outros instrumentos de percussão - é usado para a produção de efeitos especiais, sem altura definida de som.



FONTE: Suplemento Feminino - O Estado de São Paulo (4-7-1982)
fotos: Google -images


segunda-feira, 27 de junho de 2011

É HORA DE DANÇAR A QUADRILHA



Preparar a roupa típica e dançar a quadrilha. Em junho acontece uma das manifestações culturais que mais têm a cara do Brasil (além do carnaval): as festas Juninas. São Paulo não fica de fora e se rende  à tradição das quermesses e arraiais que se espalham pelas igrejas, escolas, clubes.
Tanta festança deve-se a três santos adorados pelos católicos brasileiros: Santo Antônio, São João e São Pedro, que tiveram uma ajuda para serem tão festejados, já que os dias em suas homenagens são próximos uns dos outros (13,24 e 29 de Junho).
A tradição das festas juninas no Brasil é antiga e foi trazida pelos colonizadores europeus, mas aos poucos foi incorporando os costumes locais.
Na época da colonização do Brasil, após o ano de 1500, os portugueses introduziram em nosso país muitas características da cultura européia, entre elas as festas juninas. Essas festas surgiram no período pré-gregoriano, como uma festa pagã em comemoração à grande fertilidade da terra, às boas colheitas, na época do solstício de verão, no dia 24 de junho, e cristianizada, na Idade Média, como festa de São João. Tradicionalmente conhecidas como Joaninas  receberam esse nome para homenagear João Batista. Assim, passou a ser uma comemoração da Igreja Católica, onde são homenageados três Santos: no dia 13 a festa é para Santo Antonio, no dia 24 para São João e no dia 29 para São Pedro.


No Brasil, recebeu o nome de junina porque acontece no mês de junho. Além de Portugal, a tradição veio de outros países europeus cristianizados dos quais são oriundas as comunidades de imigrantes chegados a partir de meados do século XIX. Ainda antes, porém, a festa já tinha sido trazida para o Brasil pelos portugueses e logo foi incorporada aos costumes das populações indígenas e afro-brasileiras. Os negros e os índios que viviam no Brasil não tiveram dificuldade em se adaptar às festas juninas, pois são muito parecidas com as de suas culturas.


A origem da quadrilha
A dança que é o ponto alto da festa junina, não surgiu no sertão do Brasil. A quadrilha tem suas origens ligadas à França, no início do século XIX e a Primeira Guerra Mundial. A “quadrille” francesa,  uma dança de salão para quatro pares, refinada, em que só os nobres podiam participar,  por sua parte, já era um desenvolvimento da “contredanse”, popular na corte do século XVIII. A “contredanse” por sua vez, se desenvolveu a partir de uma dança inglesa de origem campesina, surgida provavelmente por volta do século XIII, e que se popularizou em toda a Europa na primeira metade do século XVIII.
 “Naquela época a elite brasileira imitava o costume e colocava suas melhores roupas só para dançar a quadrilha. Era apresentada nos bailes da corte e os passos lembravam um minueto”, explica o auxiliar de marketing Diogo Ferreira Gatto, um dos integrantes do grupo folclórico “Quadrilha da Nova Geração”, que há sete anos integra quadrilhas que se mantêm fiéis ao estilo do século 18. “Desde criança as quadrilhas sempre me chamaram atenção, conheci o pessoal do grupo “Levanta Poeira” quando era adolescente e não parei mais”, diz Diogo em sua reportagem  para a revista Já, em 1 de junho de 2003.
Segundo Gatto, quando uma moça rica, ou sinhazinha, ia se casar, era feita uma quadrilha para apresentá-la aos cavalheiros. Assim ela poderia escolher quem seria o seu pretendente.
A dança só se tornou popular no Brasil quando desceu as escadarias dos palacetes e foi parar nas festas dos mais pobres. Ao longo do século XIX, a quadrilha se popularizou no Brasil e se fundiu com danças brasileiras pré-existentes e teve subsequentes evoluções (entre elas o aumento do número de pares e o abandono de passos e ritmos franceses). Ainda que inicialmente adotada pela elite urbana brasileira, esta é uma dança que teve o seu maior florescimento no Brasil rural (daí o vestuário campesino), e se tornou uma dança própria dos festejos juninos, principalmente no Nordeste.


A festa de São João brasileira é típica da Região Nordeste. Por ser uma região árida, o Nordeste agradece anualmente a São João, mas também a São Pedro, pelas chuvas caídas nas lavouras. Em razão da época propícia para a colheita do milho, as comidas feitas de milho integram a tradição, como a canjica e a pamonha.

O local onde ocorre a maioria dos festejos juninos é chamado de arraial, um largo espaço ao ar livre cercado ou não e onde barracas são erguidas unicamente para o evento, ou um galpão já existente com dependências já construídas e adaptadas para a festa. Geralmente o arraial é decorado com bandeirinhas de papel colorido, balões e palha de coqueiro ou bambu. Nos arraiais acontecem as quadrilhas, os forrós, leilões, bingos e os casamentos matutos.


Nessa região as comemorações são bem acirradas – duram um mês, e são realizados vários concursos para eleger os melhores grupos que dançam a quadrilha. A partir de então, a quadrilha, nunca deixando de ser um fenômeno popular e rural, também recebeu a influência do movimento nacionalista e da sistematização dos costumes nacionais pelos estudos folclóricos.
O nacionalismo folclórico marcou as ciências sociais no Brasil como na Europa entre os começos do Romantismo e a Segunda Guerra Mundial.
A quadrilha, como outras danças brasileiras tais que o pastoril, foi sistematizada e divulgada por associações municipais, igrejas e clubes de bairros, sendo também defendida por professores e praticada por alunos em colégios e escolas, na zona rural ou urbana, como sendo uma expressão da cultura cabocla e da república brasileira. Esse folclorismo acadêmico e ufano explica duma certa maneira o aspecto matuto rígido e artificial da quadrilha.
Sua sobrevivência até nossos dias deve-se ao trabalho educativo de conservação e prática feito pelos estabelecimentos do ensino primário e secundário, mais do que à prática campesina real.
A quadrilha brasileira tem uma coreografia em que diversos casais caipiras encenam um casamento na roça.
Desde do século XIX e em contato com diferentes danças do país mais antigas, a quadrilha sofreu influências regionais, daí surgindo muitas variantes:
  • "Quadrilha Caipira" (São Paulo)
  • "Saruê", corruptela do termo francês "soirée", (Brasil Central)
  • "Baile Sifilítico" (Bahia)
  • "Mana-Chica" (Rio de Janeiro)
  • "Quadrilha" (Sergipe)
  • "Quadrilha Matuta"

Hoje em dia, entre os instrumentos musicais que normalmente podem acompanhar a quadrilha encontram-se o acordeão, pandeiro, zabumba, violão, triângulo e o cavaquinho. Não existe uma música específica que seja própria a todas as regiões. A música é aquela comum aos bailes de roça, em compasso binário ou de marchinha, que favorece o cadenciamento das marcações.
Em geral, para a prática da dança é importante a presença de um mestre "marcante" ou "marcador", pois é quem determina as figurações diversas que os dançadores devem desenvolver. Termos de origem francesa são ainda utilizados por alguns mestres para cadenciar a dança.


Os participantes da quadrilha, vestidos de matuto ou à caipira, como se diz fora do nordeste (indumentária que se convencionou pelo folclorismo como sendo a das comunidades caboclas), executam diversas evoluções em pares de número variável. Em geral o par que abre o grupo é um "noivo" e uma "noiva", já que a quadrilha pode encenar um casamento fictício. Esse ritual matrimonial da quadrilha liga-a às festas de São João européias que também celebram aspirações ou uniões matrimoniais. Esse aspecto matrimonial juntamente com a fogueira junina constituem os dois elementos mais presentes nas diferentes festas de São João da Europa.  
Com o passar dos anos, as festas juninas ganharam outros símbolos característicos. Como é realizada num mês mais frio, passaram a acender enormes fogueiras para que as pessoas se aquecessem em seu redor. Várias brincadeiras entraram para a festa, como pau de sebo, o correio elegante, os fogos de artifício, o casamento na roça, dentre outros, com o intuito de animar ainda mais a festividade.
As comidas típicas dessa festa tornaram-se presentes em razão das boas colheitas na safra do milho. Com esse ceral são desenvolvidas várias receitas, como bolos, caldos,
pamonhas, bolinhos fritos, curau, pipoca, milho cozido, canjica, dentre outros.




CANÇÕES

CAPELINHA DE MELÃO
autor: João de Barros e Adalberto Ribeiro

Capelinha de melão
é de São João.
É de cravo, é de rosa, é de manjericão.

São João está dormindo,
não me ouve não.
Acordai, acordai, acordai, João.

Atirei rosas pelo caminho.
A ventania veio e levou.
Tu me fizeste com seus espinhos uma coroa de flor.
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PEDRO, ANTÔNIO E JOÃO
autor: Benedito Lacerda e Oswaldo Santiago

Com a filha de João
Antônio ia se casar,
mas Pedro fugiu com a noiva
na hora de ir pro altar.

A fogueira está queimando,
o balão está subindo,
Antônio estava chorando
e Pedro estava fugindo.

E no fim dessa história,
ao apagar-se a fogueira,
João consolava Antônio,
que caiu na bebedeira.
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BALÃOZINHO 

Venha cá, meu balãozinho.
Diga aonde você vai.
Vou subindo, vou pra longe, vou pra casa dos meus pais.

Ah, ah, ah, mas que bobagem.
Nunca vi balão ter pai.
Fique quieto neste canto, e daí você não sai.

Toda mata pega fogo.
Passarinhos vão morrer.
Se cair em nossas matas, o que pode acontecer.
Já estou arrependido.
Quanto mal faz um balão.
Ficarei bem quietinho, amarrado num cordão.
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SONHO DE PAPEL
autor: Carlos Braga e Alberto Ribeiro

O balão vai subindo, vem caindo a garoa.
O céu é tão lindo e a noite é tão boa.
São João, São João!
Acende a fogueira no meu coração.

Sonho de papel a girar na escuridão
soltei em seu louvor no sonho multicor.
Oh! Meu São João.

Meu balão azul foi subindo devagar
O vento que soprou meu sonho carregou.
Nem vai mais voltar. 
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PULA A FOGUEIRA

autor: João B. Filho

Pula a fogueira Iaiá,
pula a fogueira Ioiô.
Cuidado para não se queimar.
Olha que a fogueira já queimou o meu amor.

Nesta noite de festança
todos caem na dança
alegrando o coração.
Foguetes, cantos e troca na cidade e na roça
em louvor a São João.

Nesta noite de folguedo
todos brincam sem medo
a soltar seu pistolão.
Morena flor do sertão, quero saber se tu és
dona do meu coração.
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CAI, CAI, BALÃO

Cai, cai, balão.
Cai, cai, balão.
Aqui na minha mão.
Não vou lá, não vou lá, não vou lá.
Tenho medo de apanhar.
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 Fonte: Denilson Oliveira - revista Já (2003)
Wikipedia-enciclopedia livre
Jussara de Barros- equipe Brasil Escola
imagens: Google
video: youtube- MarioZan e sua banda
postado por Yara Virginia - 27/6/2011 - 16.20