sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

NATAL - SÍMBOLOS E TRADIÇÕES - PARTE VI - CANÇÕES NATALINAS

CANÇÕES QUE FAZEM A FESTA NATALINA EM TODO O MUNDO
Desde o início da era cristã nasceu o costume de comemorar o nascimento de Cristo com hinos. Segundo a história foi o Papa Telésforo (ano 118) que instituiu o hábito de comemorar o nascimento de Jesus com hinos festivos.
Com o passar dos séculos surgiram muitos cânticos, geralmente anônimos, chamados Noels , na França, Christmas Carols na Inglaterra e Weilhnachtaliede, na Alemanha. Por exemplo, o “Adeste Fideles” tem seu texto original atribuído a São Boaventura (1221-1274), bispo de Albano e mais tarde cardeal.  De sua obra, porém, não consta esse hino. O texto completo abrange oito quadras e pode ser encontrado  em “Thesatirus Animle Christiandade” de Michilin, apresentado como segundo sequência do Natal.


ADESTE FIDELIS

 
Adeste Fidelis
Laete triumphantes
Venite, venite in Bethlehem
Natum videte regem angelorum
Venite, adoremus, venite adoremus
Venite, adoremus domine



ADESTE FIDELIS - ENYA

A música no culto sagrado foi adotada por Lutero ( 1488-1545), ao estabelecer o Canto Congracional, abonado pela Igreja desde a segunda metade do século V.
Os mais remotos cantos de Natal de origem popular francesa- Noels, que se conhecem, datam do século XI e se acham esparsos em manuscritos de diferentes bibliotecas da França. Geralmente bilíngües revestem quase sempre a forma dialoga. O século mais fértil de “noels” foi o século XVI e Pesquier aponta como “cantos espirituais em honra a Nosso Senhor”. O de nome “Gloria” é um dos mais famosos Noels.

                                                                              GLORIA
                                                                                                  Melodia tradicional francesa

Surgem anjos proclamando, Paz à terra e a Deus Louvor.
Vão seus hinos ecoando, nas montanhas em redor.
Gloria, Gloria a Deus nas alturas
Gloria, gloria a Deus nas alturas


GLORIA - ORQUESTRA MARANHENSE DE VIOLÕES


O “ Natal” de Mendelssonn, nasceu por acaso, pois a letra é de Charles Wesley, inglês, nascido em Epworth, Inglaterra, em 18 de novembro de 1707, que a denominou “ Hark The Herald Angels sing”, fazendo uma adaptação à música de Feliz Jacob Mendelssohn a Batholdy (1809-1847), e o resultado foi um sucesso conhecido.  

HARK THE HERALD ANGELS SING

Hark the herald angels sing
Glory to the newborn King
  Peace on earth, and mercy mild,
God and sinners reconciled."
Joyful, all ye nations, rise,
Join the triumph of the skies;
With th' angelic host proclaim,
"Christ is born in Bethlehem."
Hark! the herald angels sing,
"Glory to the newborn King!

 HARK! THE HERALD ANGELS SING  - FRANK SINATRA
                                                                               
Haendel escreveu música para um libreto de autor inglês, Jenner, sendo que a história tinha início nas profecias bíblicas e estendia-se até o nascimento do Cristo, cuja denominação era     “ Oratório de Messias”. E o ponto máximo da obra de Handel foi exatamente a “ Aleluia”, dentro do “Oratório do Messias”. O sucesso foi completo e hoje todos conhecem essa página da História:
                                                                             
                                                                      JESUS NASCEU

Vinde cantai! Jesus  nasceu! À terra, a Luz desceu!
Oh, graça infinda! Oh, sumo Bem!
Na gruta de Belém, Na gruta de Belém,
Jesus, o Amado, ao mundo vem!

Do terno Deus, o Salvador
Revela o grande amor!
Na manjedoura, um berço tem!
Na gruta de Belém, na gruta de Belém,
Jesus, o amado, ao mundo vem!

Vamos ó crentes, recordar
Que assim nos pôde amar!
O Rei da glória, o Sumo Bem!
Na gruta de Belém, na gruta de Belém,
Jesus, o Amado, ao mundo vem!


VINDE CANTAI, JESUS NASCEU

O Natal proporcionava aos compositores um tema inesgotável, pois naquela época o canto gregoriano cedia lugar à música polifônica. Sob esse aspecto, a obra de Giovanne Pierluigi da Pelestrina ( 1525-1594), que foi o verdadeiro restaurador da música eclesiástica. Sua missa “ Hodie Christus Natus est”, em oito partes para quatro vozes masculinas é uma pequena composição que lembra o nascimento do Salvador.
               
HODIE CHRISTUS NATUS EST

Hodie Christus natus est
Hodie Salvator apparuit
Gloria in excelsis Deo
In Excelsis Deo

HODIE CHRISTUS NATUS EST
SCHOLA GREGORIANA MEDIOLANENSIS, BASILICA DE SAN MARCO
MILANO- ITALIA

Em nível internacional, a mais popular é “ Noite Feliz, também conhecida por “ Noite de Paz” que tem como autores Joseph  Mhor ( 1792-1848) e Franz  Gruber ( 1787-1863). O primeiro era padre, ordenado em 1815,  o segundo católico romano, que à revelia dos pais aprendeu a tocar órgão com André Peterlechner.
“ Noite Feliz” foi escrita numa pequena igreja austríaca, há 142 anos. Em 1818, poucos dias antes do Natal, os ratos penetraram no órgão da igreja de Arnsdorf, roendo-lhes os foles e impedindo, em conseqüência a saída do som. Desapontado, ante a iminência de uma noite de Natal sem música, o pároco Mhor resolve fazer algo que pudesse substituir  o instrumento danificado. Numa noite em que peregrinava pelas cercanias da aldeia, parou no alto de uma colina e passou a admirar o espetáculo diante de seus olhos: a noite estava calma, acolhedora; a lua e as estrelas pareciam brilhar mais do que nunca. Aquela cena belíssima o levou a imaginar como teria sido a noite de Natal em Belém, há séculos e séculos passados.  Súbito, as palavras começaram a brotar em sua mente: “ Noite Feliz, Tudo é calmo, tudo brilha...” De volta à igreja, passo para o papel essas palavras e acrescentou outras. Na manhã seguinte exibiu o poema ao mestre do coro, Franz Gruber,pedindo-lhe que fizesse a música. A noite de Natal chegou e toda a comunidade foi brindada com o mais significativo dos presentes. Após ouvir o hino, a esposa do diretor do coro assim se expressou: “ nós passaremos um dia, mais “ Noite Feliz” viverá ainda por muito tempo. Quão acertada ela estava, não há hoje no mundo uma só noite de Natal onde a canção não seja ouvida.
Duas são as letras conhecidas no Brasil: A  primeira:  Noite Feliz; a segunda:  Noite de Paz


                                                                          NOITE FELIZ

Noite Feliz,  Noite Feliz
Oh! Senhor, Deus de amor
Pobrezinho nasceu em Belém,
Eis na Lapa, Jesus nosso bem
Dorme em paz oh Jesus
Dorme em paz oh Jesus.

Noite Feliz,  Noite Feliz
Eis que no ar, vem cantar
Aos pastores os anjos do céu
Anunciando a chegada de Deus
De Jesus Salvador
De Jesus Salvador

Noite Feliz,  Noite Feliz
OH! Jesus, Deus da Luz,
Quão afável é teu coração
Que quiseste nascer nosso irmão
E a nós todos Salvar,
E a nós todos salvar.
                                                                  -x-x-x-x—x-x-x-x-x—x-x-x-

                                                   NOITE FELIZ - NATAL TROPICAL -
HORTO FLORESTAL - 11/12/2011
COROS: GRUPO VOCAL ECOART- TATO FISCHER- CORAL UP MUSICAL -CORAL ARCANJO MICHAEL - CORAL INFANTO-JUVENIL DE TAUBATÉ - CORAL DA CULTURA INGLESA - A MÚSICA VENCEU - CORAL VOZES DA CANTAREIRA-

                                                                          NOITE DE PAZ

Noite de Paz, Noite de Amor,
Tudo dorme em derredor,
Entre os astros que espargem a Luz
Proclamando o Menino Jesus
Brilha a estrela de paz,
Brilha a estrela de paz.

Noite de Paz, Noite de amor,
Oh! Que belo resplendor
Ilumina o Menino Jesus,
No presépio do mundo eis a Luz,
Sol de eterno fulgor,
Sol de eterno fulgor,

Outra famosa canção internacional é Jingle Bells, cuja autoria melódica é de F. Pierpont, que no Brasil ganhou o nome de Sinos de Belém, numa versão de Ewaldo Ruy:


SINOS DE BELÉM

Hoje a noite é bela,
Juntos eu e ela,
Vamos à capela,
Felizes a rezar.
Ao soar o Sino
Sino pequenino
Vai o Deus Menino
Nos abençoar.

Bate o sino, pequenino
Sino de Belém,
Já nasceu o Deus menino
Para o nosso bem
Paz na terra, pede o sino
Alegre a tocar
Abençoe Deus Menino
Este nosso lar.

Vamos minha gente
Vamos a Belém
Vamos ver Maria e
Jesus também
Já deu meia-noite
Já chegou o Natal
Já tocou o sino
Lá na catedral

É Natal, é Natal,
Noite de Natal
Toca o sino, pequenino
Sino de Belém
Já nasceu o Deus Menino
Para o nosso bem



                                                     JINGLE BELLS - RAY CONIFF


                                                                       TE DEUM
Patrick  Doyle- 1991 ( da trilha sonora de Henrique IV)
Texto em português retirado das Loas Reisados do Norte do Brasil – Silvio Romero.

Vinde abri a vossa porta
Se quereis  ouvIr e cantar
Acordai se estais dormindo
Acordai
Nós viemos Festejar
Christus Natus est aleluia,
Christus natus est aleluia,
Aleluia Jesus nasceu em Belém
Nós viemos festejar.


                                                                         NATAL DE LUZ
                                                                                                 Tradicional inglêsa
                                                                                                 Versão Carlos Rennó

Lá no céu apareceu
Uma luz sem igual
Que parece um objeto
Concreto, real
Onde vai, ela atrai
E nos faz um sinal
Que só traz alegria
E um alto astral

Natal, Natal
Natal de Luz
De um divino,
Menino Jesus.

                          

                                                                    WHITE CHRISTMAS
                                                                                                              Irving Berlin
                            Versão Marino Pinto

Lá, onde a neve cai, sinos
Festejam a noite de Natal
Os pinheiros brancos de neve
São como torres de uma catedral.

Lá, onde a neve cai, sempre
Por sobre a lua tropical
O Natal é sempre oração
Oração de paz universal

WHITE CHRISTMAS - ELVIS PRESLEY


                                                               HAPPY CHRISTMAS ( ENTÃO É NATAL)
                                                                                                              John Lennon/Yoko ONO
                                                                                                              Versão: C.R. Rabello

Então é Natal,
E o que você fez,
O ano termina
E nasce outra vez
Então é Natal
A festa cristã
Do velho e do novo
Do amor como um todo
Então bom Natal
E um Ano novo Também
Que seja feliz
Quem souber o que é bem
Então é Natal
Pro enfermo e pro são
Pro rico e pro pobre
Num só coração
Então bom Natal
Pro branco e pro negro
Amarelo e vermelho
Pra paz afinal
Então bom Natal
E um ano novo também
Que seja feliz
Quem souber o que é bem

HAPPY CHRISTMAS ( THE WAR IS OVER) - CELINE DION


                                                                        BOM VELHINHO
                                                                                                                             Octavio Babo Filho

Botei meu sapatinho,
Na janela do quintal.
Papai Noel deixou
Meu presente de Natal
Como é que Papai Noel
Não se esquece de ninguém
Seja rico ou seja pobre
O velhinho sempre vem.

O BOM VELHINHO - LUIZ BORDON E SUA HARPA MÁGICA


TOCAM OS SINOS
                                                                                                                               Edino Krieger

Tocam os sinos, blém, blém, blém
Anunciando que Cristo nasceu em Belém, Belém
Que nasceu em Belém
Blém... blém...  blém... blem...


            A CANÇÃO DOS SINOS
                                                           Melodia ucraniana

Eis a soar sinos no ar para dizer: “Jesus é Rei”
Estão a cantar ao bom Senhor e a Lhe render todo louvor
Povos de toda terra essa grande estória devemos anunciar
Eis a soar sinos no ar; “Jesus nasceu” estão a contar

Cantemos sem hesitação, felizes com vigor
Pra relembrar que hoje nasceu o Salvador
Que veio ao mundo nos livrar do mal e do pecar
Trazendo a paz e prazer, paz e prazer
Trazendo a paz e prazer

Eis a soar sinos no ar para dizer: “Jesus é Rei”
Eis a soar sinos no ar para dizer: “Jesus é Rei”
Estão a cantar ao bom Senhor e a Lhe render todo louvor
Povos de toda terra essa grande estória devemos anunciar
Eis a soar sinos no ar: “Jesus nasceu”

CORO VOX ANIMA
Apresentação na Capela do Mackenzie. Dia 26.11.2009. São Paulo/SP.
A CANÇÃO DOS SINOS
Compilado e adaptado por Randy Vader & Jay Rouse
Arranjo: Camp Kirkland
Trad. Waldenir Carvalho e Cristiane Carvalho

 Fonte: A Gazenta da Zona Norte - 21/12/1996
Vídeos: Youtube

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

NATAL - SÍMBOLOS E TRADIÇÕES - PARTE V - PAPAI NOEL


De onde vem essa figura gorducha, de longas barbas e cabelos fofos de algodão, bochechas rosadas, olhar bonachão, vestido de vermelho, com mangas e golas arrematadas com arminho branco, botas de sete léguas, cinturão de couro largo, num trenó puxado por renas e trazendo num imenso saco a realização dos nossos sonhos e desejos?                                                                                                                           
O famoso personagem que a imaginação infantil transformou em verdadeiro ídolo, passou por profundas transformações através dos tempos. Segundo a história, a estória do bom velhinho começou com o culto de São Nicolau, que foi um bispo que nasceu no ano 281 de nossa era em Patara, na Lícia, na costa oriental da Ásia menor. Seus pais, Epifanio e Joana, casal sem filhos, possuíam imensas riquezas , mas seus primeiros anos de matrimônio foram tristes porque desejavam ardentemente um filho que não chegava. Finalmente, após muita oração e penitência, eles  obtiveram de Deus a graça desejada: nascera-lhes Nicolau.                   Todos os sábados, à porta do palácio dos pais de Nicolau que eram caridosos, formavam-se filas de pobres para receber alimentos, roupas e dinheiro, por eles distribuídos em nome do Menino Jesus. Naquela época, aconteceu que uma terrível peste levou o desespero a Patara e a toda Licia. A desolação reinava em todos os lares. Os pais de Nicolau não poupavam esforços na ajuda que dispensavam ao povo. Ora socorriam os enfermos, ora enterravam os mortos ou consolavam os parentes das vítimas.  Como seus pais, Nicolau dedicava todo o seu tempo e forças a auxiliar a quantos podia. Quando por fim a peste foi dominada, Nicolau havia pagado um elevado tributo ao céu: a morte de seus pais, também vitimados pelo mal.             Com a morte dos pais, Nicolau herdava grandes riquezas e entre elas o valioso tesouro da caridade. Decidiu logo empregar os bens materiais  em benefício dos pobres, por amor ao Menino Jesus que pobre nascera em Belém.  Ouvindo o chamado de Deus, Nicolau seguiu  a carreira eclesiástica chegando a sagração de Bispo de Mira, cidade da Ásia Menor. Continuou a repartir as suas riquezas com os pobres, fazendo, porém, que suas boas obras ficassem ocultas.                                                                                               Sucedeu então que vivia em Patara, Licandro, velho guerreiro dos exércitos de Roma, honrado fidalgo, mas arruinado.  O velho guerreiro tinha três filhas solteiras e não possuindo recursos para lhes dar o dote, não podia fazer com que elas se casassem.  No auge da depressão e angústia, tomou a mais triste das resoluções: para obter dinheiro e não ver morrer de fome as três filhas, pensou em fazer um tráfico de indigno com elas. Foi então, que, durante três noites, Nicolau milagrosamente jogou pela janela da casa de Licandro, uma bolsa com o dote necessário  às jovens casadoiras. Ao jogar as bolas Nicolau oculto nas sombras da noite, gritava para o interior da casa do fidalgo arruinado: - Ouve, ó velho guerreiro! O Menino Deus é quem te envia este socorro!.
Origem do Sapato ao pé da cama
Nicolau junto às esmolas que dava às ocultas costuma deixar, sobre o peitoril da janela do beneficiado, um saco com moedas e um bilhetinho sempre com os mesmos dizeres: “ O Menino Deus é quem te envia este socorro”. Aconteceu que em uma dessas ocasiões, numa noite de ventania, véspera de Natal, uma daquelas janelas se fechou. O saco de moedas foi cair dentro do sapato  que se encontrava ao pé da cama do presenteado.  Ao amanhecer, o felizardo com surpresa encontra  o valioso saquinho. Daí originou-se a idéia de se deixar na véspera de Natal  os sapatos junto à cama a fim de que Nicolau, dentro deles, em nome do Menino Jesus, deixasse o desejado presente.
São Nicolau, ao tempo do Imperador Deocleciano, foi perseguido. Faleceu a 6 de Dezembro do ano 350, e foi sepultado num mosteiro da cidade de Mira. Muitos séculos depois Mira foi tomada pelos turcos. Para evitar a profanação do corpo do santo, marinheiros italianos, levaram-no para a cidade de Bari, na Apulia – Itália ( Igreja dos Beneditinos).
No século VI, no Oriente, já estava em voga a devoção a São Nicolau ou Papai Noel, mas foi só no século IX que esta devoção passou para o Ocidente.
Foram os imigrantes holandeses,  que fundaram Nova Amsterdam, depois rebatizada de Nova Iorque,  que trouxeram São Nicolau para a América. Era conhecido como Father Christmas Sinter Klaas e ele era descrito como um velho cavalheiro, todo vestido de negro e montado sobre um corcel cinzento. Foi descrito também como vindo num cavalo branco e descendo pelas chaminés, colocando presentes nos sapatinhos das crianças. Sua visita se realizava no dia 6 de Dezembro. Os americanos o adotaram, mudaram a pronúncia para Santa Claus e foi absorvido para as festas de Natal. Através dos anos mudaram seus hábitos  com alteração da data de sua visita  para o dia 24 de dezembro, em plena noite de Natal,  mas as crianças deveriam escrever suas cartas   para ele no dia 6,  para dar tempo hábil  de serem lidas  e seus  presentes providenciados.
Em 1832, o Dr. Clement Clark Moore, famoso poeta norteamericano,  escreveu um poema       “ The Night before Christmas” para seus cinco filhos, alterando  completamente a figura de São Nicolau:  “seus olhos brilhavam, suas covas do rosto eram expressivas, suas bochechas  muito rosadas e o nariz uma cereja”.   Foi também o responsável pelo  endereço do Papai Noel   – O Polo Norte, e a invenção de seu trenó e suas famosas renas: Dasher, Dancer, Prancer, Vixen, Comet, Cupid, Donner, Blitzen.  Rudolf, a mais famosa delas, não estava nesse time original, surgindo em 1939 e se tornando um símbolo do movimento gay em Nova Iorque. Thomas Nast, famoso desenhista do século XIX, pintou um quadro segundo esta descrição, e, desde então, Papai Noel assumiu as características que hoje conhecemos.   
Em 1897, Virginia, uma menina de 8 anos , escreveu uma cartão ao editor do “ The New York Sun”, indagando se Papai Noel realmente existia. A resposta a essa pergunta tem sido reproduzida  todos os anos, nos principais jornais dos Estados Unidos e em determinado trecho diz o seguinte:  “ Sim, Virginia, a existência de Papai Noel é tão certa quanto a existência do amor, da generosidade e da devoção. Quão triste seria o mundo se não houvesse um Papai Noel... Ninguém o vê, mas isto não quer dizer que ele não exista... Graças a Deus ele vive e viverá para sempre. Daqui a mil anos, Virginia, dez mil anos, ele continuará trazendo alegria e encantando o coração da infância”.
                                                                       HO, HO, HO.





 Fonte : Natal - Biba Arruda - Mirna Grzich- Editora Três
               Símbolos e Tradições do Natal - A Gazeta de São Paulo - 21/12/1961
               São Nicolau, o genuino Papai Noel - Pe. Eugenio Moreira -
Imagem:  Google
Música: youtube 



segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

NATAL -SÍMBOLOS E TRADIÇÕES - PARTE IV- O ESPÍRITO DA ÁRVORE DE NATAL

Houve um tempo em que as pessoas acreditavam que as árvores possuíam alma. Quando chegava o outono e as árvores perdiam todas as suas folhas, eles achavam que o espírito-árvore as havia abandonado. Essa crença criou o medo de que, se nada de especial fosse feito, a alma da árvores não retornaria na primavera, o que seria muito mau, pois as árvores não produziriam nem as flores, nem os frutos. Para encorajar que os espíritos voltassem, as árvores eram enfeitadas com pedrinhas pintadas e tecidos coloridos, no inverno. Para espanto de todos, isso funcionou sempre miraculosamente, as árvores explodindo de vida a cada primavera.
Foram os alemães que iniciaram o costume de cortar uma pequena árvore e trazê-la para dentro de casa, e aí a decoração se tornou mais sofisticada. Linhas inteiras de contas de vidro, além de frutinhas, pãezinhos, eram pendurados nos ramos. Em louvor a Nossa Senhora, ornamentos de papel em forma de rosa eram colocados. Quando se colocavam velas, o significado não era só decorativo, mas simbolizava a presença de Cristo como a “ Luz do Mundo”. Isso tudo se espalhou pela Europa, e no final da época vitoriana a tradição das árvores de Natal se disseminara por todo o mundo ocidental. As velas foram substituídas por pequenas lâmpadas elétricas, mais seguras. Cada enfeite colocado significa, para quem entra na casa, uma mensagem como “ bem vindo milhares de vezes” e sugere um convite à oração.No começo eram usadas sempre-vivas, plantas consideradas especiais, que como o nome diz, estão sempre verdinhas, mesmo no inverno. Eram o alecrim, o visgo, o azevinho, o pinheiro, plantas que nós mal conhecemos, aqui nos trópicos. Só quem já passou um inverno no hemisfério Norte pode compreender a solidão de um campo de neve, sem um verdinho pra contar a estória...Essas plantinhas simbolizavam a esperança do eterno retorno do verão. O tradicional pinheiro alemão ficou como o símbolo das árvores de Natal.
A origem da árvore de natal é controversa, mas autoridades no assunto acreditam que as raízes desse costume remontem ao século XVI na Alemanha. Acredita-se que a primeira pessoa que decorou uma árvore de Natal na Alemanha foi Martinho Lutero ( 1483-1546), o responsável pela reforma da Igreja. Na noite de Natal, andando pela floresta de pinheiros, viu o céu cheio de estrelas  brilhando através dos galhos cobertos de neve. Ele foi tocado pelo belo sinal. Levou para casa, então, um belo pinheiro, que decorou com velas acesas para que seus filhos compartilhassem do espetáculo que se desenrolava do lado de fora e para lembrar a todos o poder do céu. A árvore de Natal tornou-se , então, um símbolo de esperança, paz e alegria. Desde então, o pinheirinho de Natal está presente em todas as casas, mesmo as mais pobres, às vezes simbolizado por um galho seco decorado com isopor.     Mas a alma da árvore sempre estará presente, trazendo esperança e reverenciando o nascimento do Menino Jesus. Foi trazida para a América pelos imigrantes alemães, na época colonial.




                                             O TANNENBAUM ( PINHEIRINHO AGRESTE)
                                                                                                     Música: Ernest Anschutz/E. Moritz
                                                                                                     Letra: Mario Mascarenhas

Ó tannenbaum, ó tannenbaum
Pinheiro do Natal
Dezembro vem chegando
A todos anunciando
Ó tannenbaum, ó tannenbaum
Pinheiro do Natal



Fonte: Natal- Biba Arruda - Mirna Grzich - Editora Três
          Símbolos e tradições do Natal -A Gazeta de São Paulo - 21/12/1961
Imagens: Google
Música: youtube

domingo, 15 de janeiro de 2012

NATAL - SIMBOLOS E TRADIÇÕES - PARTE III - O PRESÉPIO

O presépio é uma referência cristã que remete para o nascimento de Jesus na gruta de Belém, na companhia de José e Maria. Conta a Bíblia que, depois de muito tempo à procura de um lugar para albergar o casal, que se encontrava em viagem por motivo de recenseamento de toda a Galileia, José e Maria tiveram que pernoitar numa gruta ou cabana nas imediações de Belém. De acordo com a mesma fonte, Jesus nasceu numa manjedoura destinada a animais (no presépio, uma vaca e um burro) e foi reconhecido, no momento do nascimento, por pastores da região, avisados por um anjo, e, uns dois anos mais tarde, não na manjedoura, mas na casa de Jesus, por magos (ou reis ou astrólogos, a bíblia não diz se eram três) vindos do oriente, guiados por uma estrela, que teriam oferecido ouro, incenso e mirra à criança.
Segundo a história, estes acontecimentos ocorreram no tempo do rei Herodes, que teria mandado matar todas as crianças por medo de perder o seu trono para o futuro rei dos judeus.
                                        SÃO FRANCISCO CRIOU O PRESÉPIO
Em 1223, nos bosques de Groccio, na Italia, São francisco teve a idéia de montar o primeiro presépio. Usou para isso um estábulo e um grupo de animais. Não utilizou pessoas ou mesmo figuras de gente. Seu objetivo  era difundir o culto ao Menino-Deus, evocando  o seu nascimento, segundo a descrição dos Evangelhos.
Daí, começaram as representações religiosas do Natal e estas motivaram presepios feitos por leigos, dos séculos XIII ao XVI. Criaram-se cenas e figuras adicionais. Incluiram-se tipos populares e grupos que nada tinham a ver com o tema religioso. Aos poucos, as representaçãos, por influência do teatro barroco, tomaram um caráter dramático de verdadeiro teatro, sempre em função do motivo religioso. Foram os jesuitas que fizeram o primeiro presépio desse tipo, em uma igreja de Praga, em 1562. E eles mesmos difundiram a idéia de representar o nascimento de Jesus com figuras vivas. De 1601 a 1607, vários foram levados a efeito nas igrejas da Baviera. Mas, o presépio feito ao vivo, ou com figuras, não ficou adstrito ao ambito da Igreja ou das Ordens Religiosas.
Já em 1567, a Duquesa de Amalfi, na Itália, possuia um presépio de cento e sessenta e sete figuras, com pastores e Reis Magos. Anos depois, a Grã-Duquesa Maria de Steiermark mandou comprar em Munique um presépio, que não se limitava a apresentar acontecimentos relacionados ao Natal. Tinha centenas de figuras e nele reconstituia-se cenas do tempo e do milagre de Pentecostes. Em 1580, surgiram presépios cujas figuras eram esculpidas em madeira, articuladas com arame e apresentnado lindíssimas indumentárias.
Na Renascença, os presépios possuiam uma paisagem grandiloquente e antingiram, no período Barroco, uma cenografia  de extraordinária beleza artística. Para construí-lo, gastaram-se verdadeiras fortunas. Além das figuras serem confeccionadas pelos melhores artistas da época, elas se apresentavam com fazendas e ouro e os enfeitos se faziam com pedras preciosas.
No século XVIII, toda a Eudorpa católica fazia presépios. Três regiões, no entanto, logo se destacaram pelos seus presepeiros: a Itália, a Alemanha e os países dos Alpes. No início do século, porém, a Itália ainda recebia presépios do Norte. Em 1614, a corte de Mantua é presenteada com um belo e artístico presépio, construído em Innsbruck, no Tirol.
Foi a irmandade do Ourives em São Paulo da Itália que, em 1661, construiu o primeiro presépio italiano.
Mas, os presepeiros de Nápoles é que confeccionaram o primeiro conjunto de renome mundial, o que se deve a uma sugestão de Carlos III.
Convencido do valor artístico e religioso do presépio, determinou que o confeccionassem os escultores e modeladores da manufatura de porcelana, que ele mesmo fundara em 1740. E, dessa maneira, o mundo ganhou uma obra de arte, que ainda agora é admirada por tantos quantos tiveram a oportunidade de apreciá-la. Para se ter uma idéia deste presépio  de Carlos III, basta recordar que ele possui cento e cinquenta anjos e uma reprodução completa da vida popular de Nápoles. Suas figuras foram vestidas com fazendas em miniaturas criadas especialmente para elas. Conta-se que a própria rainha da Itália e suas damas passaram longos meses a elaborar as indumentárias das figuras.
Consequência da fama que grangeou este presépio foi a fundação da " Escola dos Figurinistas", chefiada por Giuseppe Sammartino, que estruturou o presépio italiano, consolidando a técnica de feitura das figuras, modeladas em terracota. Utensilios domésticos, animais, aves e outras coisas de uso diário foram reproduzidos com maravilhosa perfeição. Ao mesmo tempo, a arte dos presepeiros  desenvolveu-se na Sicilia, que não demorou a se tornar, ao lado de Nápoles, o grande centro desta arte.  Os presépios sicilianos, entretanto, são diferentes  dos napolitanos, não apenas pelo tamanho menor mas também por destacarem um motivo, muito ao gosto dos seus autores: a cena do massacre dos inocentes, em Belém.
Finalmente, os presépios alemães, mais simples, mas nem por isso menos bonitos, circunscrevem-se à reprodução da Sagrada Família. Os próprios tipos populares e os Reis Magos vivem em função do tema especificamente religioso. Os conjuntos do Tirol são verdadeiras obras primas de arte popular e caracterizam-se pela doce simplicidade e profunda religiosidade. Os de Munique destacam-se pela recordação das cenas das Bodas de Caná ou da fuga para o Egito.

                                                                    Presépio Angolano




                                                      Presépio Napolitano



Fonte: Jornal A Gazeta de São Paulo - 21/12/1961
           Enciclopédia Wikipédia
Imagens: Google

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

NATAL - SÍMBOLOS E TRADIÇÕES - PARTE II - OS TRÊS REIS MAGOS

COMO OS TRÊS REIS MAGOS RECEBERAM O CHAMADO DA ESTRELA DE JESUS

Baltazar, Melquior, Gaspar, três homens que não se conheciam e que viram a estrela, entendendo a sua mensagem. Três homens que viram, através de sonho, o Rei-Menino, pleno de sol e majestade.

Baltazar e a decadência espiritual de seu povo

O reino de Baltazar era num país muito distante de Jerúsalém, do lado onde nasce o Sol.  Há muito morrera o último sacerdote do templo, que jazia em ruínas. Baltazar sempre pedia para o vigia da torre do castelo avisar quando as noites eram particularmente claras, com as constelações bem nítidas - ele então ficava horas a fitar o céu, à espera de um sinal que ele, em sonhos, sabia que viria. Mas nada nunca se revelava.
Seu povo estava triste, em decadência espiritual.
Um dia, ele contou sua visão ao jovem vigia da torre, visão essa de que o último sacerdote havia lhe falado:
"Não esqueças o que te digo agora: uma nova era vai se iniciar na Terra. A era dos antigos templos terminará. Em noites escuras há de nascer uma nova luz. São desconhecidos a hora e o local desse evento." E continuava  o rei: " há pouco tempo, tive um sonho, onde vi uma criança, que parecia envolta em ouro e brilhante como o sol. Ela me disse ' Quando me vires na estrela, a Hora estará próxima!' Desde então busco todas as noites algum sinal no céu", concluiu o rei ao vigia.
Uma noite Baltazar resolveu ir sozinho até o templo abandonado. De repente sentiu uma grande luz e um maravilhoso perfume de incenso que se desprendia dos campos, e ele ouviu a voz da criança, que vinha de uma imensa estrela no céu, dizendo: " aproxima-se a Hora! Eis-me aqui!"
Ordenou aos criados que preparassem o mais veloz dos camelos  e partiu seguindo aquela estrela.  Como presente, levava um dos últimos incensos preciosos que lhe restara, da época do templo. Logo o vigia viu seu rei e o camelo desaparecendo no horizonte. A lua descia por trás do morro do templo e no oriente a aurora começava a tingir o céu.

MELQUIOR E SEU PAÍS DESTROÇADO PELA GUERRA

No sul do Oriente reinava Melquior.Há muito as querelas e litígios intranquilizavam o país; ao norte, guerreiros estranhos invadiram as terras; as regiões férteis orientais estavam totalmente destruídas; ao ocidente, guerras fratricidas haviam irrompido, molhando de sangue a terra; tribos selvagens nômades roubavam ao sul tudo que conseguiam agarrar. Ninguém mais estava seguro.
Melchior não sabia como resolver a situação e convocou todos os nobres da região para uma reunião.
Naquela noite, Melquior teve um sonho: sentado sozinho no salão, ele esperava pelos nobres que não apareciam. As figuras dos brasões  que ornavam os espaldares das cadeiras do salão tomavam vida e devoravam um banquete. Urso, leão, águia, falcão atacavam a comida.  Uma cadeira tinha um brasão com o relâmpago e outra com uma estrela cadente.  De repente, a estrela saiu do brasão e circulando por toda a sala fez com que tudo voltasse ao normal.
No dia seguinte, enquanto os criados preparavam o salão , um imenso lustre de cristal em forma de coroa, acidentalmente partiu-se espatifando-se no chão e matando um criado. O rei interpretou isso como um segundo sinal. Os servos, para iluminar a sala, cortaram uma árvore e a encheram de velas. O rei interpretou essa criatividade como uma imagem da árvore da vida.
Chegou o momento da grande reunião. Os nobres estavam cheios de ira e queriam mais e mais violência, leis mais duras, mais armamentos, mais soldados e espadas. As vozes pareciam como no sonho que tivera, cada vez mais altas e ferozes. Mas Melchior estava longe, tendo uma visão: olhando para a sua taça de ouro, viu que o fundo da taça se abria formando uma pequena caverna. Nesta, estava uma criancinha, que tinha uma estrela por cima de sua cabeça.  Ela saudava Melchior: " segue esta estrela, Melchior, pois ela trará à Terra à verdadeira paz."
Os nobres, pensando que Melchior tivesse adormecido, deixaram a sala achando que ele não tinha mais vigor para tomar uma decisão forte.  Melchior então levantou-se, foi até a janela e lá estava a estrela que brilhara no fundo da taça, agora brilhando no céu. Melchior tomou o vinho da taça e sentindo-se revigorado, decidiu empreender uma longa viagem, em busca dessa criança. Pensando tratar-se da filha de um rei, pegou a taça de ouro para levar como presente. Partiu ainda de noite, deixando um recado para os nobres que voltassem para a suas regiões, pois havia recebido uma mensagem de que em breve haveira paz na  Terra.
Quando os nobres souberam do acontecido, voltaram contrariados, mas tiveram a surpresa de constatar que o povo, sozinho, havia se organizado, reconstruido as aldeias queimadas e cultivado o solo.Todas as lutas pareciam esquecidas.

GASPAR E A SECA NO SEU PAÍS


Vivia na África um rei negro chamado Gaspar. O Sol queimava sua terra e muitas vezes passavam-se meses sem que uma única gota de chuva caísse do céu.  Nas regiões áridas não era possível nenhum tipo de vida, mas havia um rio que foi dividio em canais e que alimentava o povo e as colheitas.  Ali cresciam frutas saborosas: tâmaras, bananas, laranjas, figos. O rio nascia nas montanhas e passava bem no centro do país.
Na época da lua cheia, era costume do povo negro abençoar a água do rio, e dar graças ao deus do rio pelas dádivas que cresciam do solo úmido.  Em tempos de seca, Gaspar ia com o povo para as margens do rio, orar e pedir água. Quando tornava a chover, agradeciam aos céus dançando e cantando.
Então, veio a pior seca: os animais morriam, as árvores ressecaram,e doenças e febres matavam milhares de pessoas. Um único lugar ainda tinha água: o chafariz do rei Gaspar, que abriu seus portões para o povo, deixando que aliviassem sua sede no poço especialmente profundo. A seca continuava, e a água do poço estava chegando ao fim.
Naquela noite, Gaspar teve um sonho: ele ia ao poço, ver a situação da água, e se debruçava perigosamente, caindo lá dentro. Na queda, ele se agarrava ao único pé de mirra que havia em todo reino, que nascia exatamente dentro do poço, devido à umidade. Ao agarrar-se, via água brotar do poço, e uma estrela com uma criança adormecida.
No dia seguinte, Gaspar levou seu povo ao pé da montanha, e orou com muita força. Nuvens se formaram, e sobreveio uma grande chuva. Em meio à chuva, era visível uma imensa estrela , no topo da montanha, semelhante à que Gaspar vira no seu sonho.
Gaspar pegou entre seus tesouros um lindo bauzinho e foi até o pé de mirra, último arbusto vivo, dentro do poço, e arrancou alguns galhos da resina aromática. Avisou seus ministros que ficaria um tempo afastado, empreendendo uma longa viagem. E assim, seguiu a estrela.

OS TRÊS REIS SE ENCONTRAM

Os três reis chegaram perto da cidade de Jersualém, governada pelo rei Herodes. Estavam cada vez mais perto uns dos outros, sem se dar por isso. Ao se aproximarem do monte Gólgota, uma neblina misteriosa
tomou conta de tudo, tão densa que impedia a visão do caminho e a luz da estrela. Eles apearam de seus camelos e esperaram, sentindo uma estranha tristeza. Anos mais tarde, uma crucificação aconteceria ali...
Ao amanhecer, a neblina se foi e lá estavam eles, um na frente do outro. Três reis viajantes! Cumprimentaram-se, cada um falou de si e entenderam, admirados, que estavam seguindo o mesmo sinal, a mesma estrela, procurando a mesma criança. Abraçaram-se, felizes.
Mas eis que não viam mais estrela nenhuma. Preocupados, pensaram que talvez estivessem bem perto do seu destino, e se dirigiram para o castelo do rei da cidade próxima, Jerusalém.

O SONHO DE HERODES

Enquanto isso, Herodes se debatia na cama, tendo um terrível pesadelo. Ele sonhava que um poderoso rei estrangeiro invadia seu  país e seu exército era derrotado fragorosamente. Só que não se viam armas na mão do exército inimigo, e sim luzes poderosas, que aniquilavam qualquer resistência, qualquer vontade de lutar.Ele queria erguer-se e fugir, mas as forças o abandonavam. Um rei desconhecido vinha em sua direção, irradiando muita luz. Todo seu exército estava destroçado. Em pânico, ele acordou, suando frio. "Que poderia significar esse sonho matinal tão terrível?" "Quem seria esse rei misterioso?"
Um servo anunciou que três reis de países distantes estavam no palácio, querendo falar com ele. Herodes desceu desconfiado.
Entrando nos aposentos, os três reis reverenciaram Herodes e perguntaram se algum novo rei havia nascido ali. " Nós vimos sua estrela, e ela nos conduziu até aqui", disseram. Ouvindo isso, o medo de Herodes se amplificou. Mandou chamar os letrados e sábios do reino, mas nenhum sabia nada sobre a chegada de uma criança como os reis procuravam. Um deles, porém, se lembrou que os livros antigos falavam da vinda de um Messias, que nasceria em Belém.
Nada denunciava as intenções de Herodes, quando aproximando-se dos reis, declarou:  "Ide e procurai, diligentes, pelo Menino; quando o tiverdes encontrado, voltai ao meu palácio e informai-me ondo posso encontrá-lo, pois quero ir também venerá-lo." O seu coração, porém, estava em fúria, prometendo destruir a criança assim que a encontrasse. Certamente essa criança tinha a ver com o seu sonho mau. Os três reis constataram que, assim que saíram das imediações do palácio, a estrela aparecia novamente, orientando o caminho, conduzindo-os a Belém.

OS TRÊS REIS ENCONTRAM A CRIANÇA

A estrela parou sobre um estábulo, num campo diante de uma gruta. Seu brilho aumentou. Os reis perceberam a pobreza do local, mas apearam de seus camelos, entrando no estábulo. Uma luz divina iluminava o ambiente. Viram a criança e a mãe, envoltas em luz. A alegria foi tão grande que caíram de joelhos, beijando o chão. Melquior pegou a taça de ouro e disse: "até hoje somente reis beberam nesta taça. Agora ela será iluminada pela tua luza. Aceita o ouro!"
Baltazar em seguida entregou o incenso dizendo: "criança divina! Trago-te o incenso, do mesmo que era queimado nos rituais sagrados do velho templo da montanha. Abre-nos uma nova era!"
O rei negro, Gaspar, ofereceu a mirra dizendo: " Menino da Estrela" aceita a mirra que nasceu no poço que continha a última água. Sob tua luz, a fonte da vida vai recomeçar a fluir!"
Os três reis então entraram em transe e viram tudo o que aconteceria daí por diante. Suas almas elevadas assistiram a sermões, a vida de Cristo, sua crucificação e morte, e a ressureição no terceiro dia. Quando se levantaram, eram homens diferentes. Despediram-se e sentiram que agora a luz da estrela estava nos seus corações. Retornando a Jerusalém, pararam para descansar antes de falar com Herodes, sobre o encontro da criança. Mas um anjo apareceu aos três, em sonho, e lhes disse que não voltassem ao palácio de Herodes, pois ele tencionava fazer mal à criança. Afastaram-se, então, e dizem os livros antigos que os reis levaram as boas novas aos seus países, partindo depois para um retiro espiritual no alto das montanhas, vivendo ali em fraternidade.




fonte:  Os Três Reis e o Quarto Rei - Jakobb Streit - edições Waldorf -
          Natal - Biba Arruda e Mirna Grizich - Editora Tres
Música:  Corre Caballito - Youtube

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

NATAL - SÍMBOLOS E TRADIÇÕES- PARTE I - AS ORIGENS DO NATAL

As tradições e os símbolos do Natal cultuados hoje em dia tiveram origens tão diversas quanto pitorescas e constituem, sem dúvida, os melhores presentes que a humanidade já recebeu. Esta, nem sempre lhes tem apreendido a mensagem: fraternidade e compreensão entre os homens, sob a proteção d'Aquele que renasce anualmente, para a tarefa de apaziguar um rebanho em constante luta fratricida, na busca vã e inútil de novos deuses.

O Natal sempre foi a grande noite do ano. Afinal, significa quase um final de ciclo, uma linha de chegada para os seus projetos sonhados, o momento da reunião de toda a família, a troca de presentes, a arrumação da árvore, a preparação da comida...
É uma festa para a qual as pessoas se mobilizam, se preparam...Ainda que tenha hoje um apelo comercial, fica uma coisa coletiva, o famoso "espírito de Natal", que contagia a todos, ricos e pobres. É a celebração do ano em que se enfeita a casa, as ruas, a cidade, e as pessoas querem exteriorizar o belo...Quem sabe esse não é um caminho para encontrar o belo interior?
No Natal, as coisas alegres ficam mais alegres, e as tristes, mais tristes ainda. Como era o seu Natal, quando você era criança? Que lembranças você tem? O que é mesmo que estamos comemorando no Natal? Qual é o verdadeiro significado dessa festa? E o que é afinal, o tal do espírito natalino?
O verdadeiro espírito do Natal é a união, celebração, bondade, perdão, confraternização.

AS ORIGENS DO NATAL

Nas línguas latinas o vocábulo Natal deriva de Natividade, ou seja, referente ao nascimento de Jesus. Em
inglês o termo utilizado é Christmas, literalmente " Missa de Cristo ". Já na língua alemã, é Weihnachtem e tem o significado  " Noite Bendita". 
Tudo começou na Antiguidade, com os festivais pagãos de meio-de-inverno dos Escandinavos e Celtas; depois, com as Saturnálias dos Romanos. Durante sete dias, os romanos viravam tudo de cabeço para baixo: patrões serviam escravos, homens se vestiam de mulher, e mulheres se vestiam de homem. As cortes eram fechadas e ninguém podia ser preso, até a jogatina era legal.
A Saturnália penetrou na Inglaterra nas costas dos soldados romanos invasores, transformando-se na Festa dos Loucos, onde tudo era permitido.
No mundo romano, a Saturnália, festividade em honra ao deus Saturno, era comemorada de 17 a 22 de dezembro; era um período de alegria e troca de presentes. O dia 25 de dezembro era tido também como o do nascimento do misterioso deus persa Mitra, o Sol da Virtude.
Mais de mil anos depois, o puritanismo custou muito a aceitar celebrar o nascimento de Jesus nessa época do ano, pois não se admitia que uma festa pagã fosse apropriada pela própria Igreja, e transformada em data sacra.  Mas era isso mesmo que a Igreja queria: para popularizar a Christ Mass, a missa de Natal, em louvor ao nascimento de Jesus ( daí o nome em inglês do Natal, Christmas), permitiram que ela passasse a ocorrer nas datas das antigas celebrações de Solstício de Inverno, que em todas as tradições do hemisfério norte do mundo exisitam, onde os povos, em tempo de rigoroso inverno, louvavam o Sol com grandes fogueiras, bebendo e comendo, pedindo seu breve retorno, pois sem o Sol, não há agricultura nem florescimento na natureza; tudo é escuro e triste, e a terra parece congelada, presa das forças da escuridão.
As Saturnálias romanas eram em louvor a Saturno, deus da agricultura. .
Muito antes disso, na Pérsia, havia o sacrifício do boi, duzentos anos antes do nascimento de Cristo. Era o culto de Mithras, e acreditava-se que ele havia nascido a 25 de dezembro de uma mãe virgem, numa caverna. Como Cristo, ele teve doze companheiros, e de igual maneira, morreu e renasceu.
Mas Mithras não foi o único deus antigo cuja vida lembra a de Jesus. O deus grego Apolo, o deus babilonio Baal, e os deuses egípcios Osiris e Horus ( nascidos a 26 e 27 de dezembro, respectivamente) também são associados à adoração do Sol. O deus indiano Krishna também nasceu numa caverna, com uma estrela brilhando acima dele. Houve um atentado visando matar Krishna quando criança e um massacre de infantes chegou a ser ordenado, tal como no caso de Herodes no tempo de Cristo.
Os judeus tinha no Hanukkah a sua celebração do solstício de inverno. Como o Natal, o Hanukkah acontece nos dias mais escuros do inverno ( hemisfério norte), sendo também tempo de brincadeiras e presentes. É também a celebração da luz, simbolizada pelas velas do candelabro de oito ramas. Daí o costume da tocha de Natal, que devia queimar durante doze dias, sem ser jamais apagada, em todo o norte da Europa.  Um costume que vinha dos druídas, antigo povo celta, de queimar uma tora de madeira durante doze dias ininterruptos. Se a luz se apagasse, significava a vitória do mal contra o bem.
Na época vitoriana, começaram a aparecer os cartões de Natal, um mais lindo que o outro.Assim com os vitorianos foram os responsáveis pelo renascimento de toda uma arte angelical, também assim fizeram  em relação ao Natal. Hoje, no mundo inteiro, luzes e mais luzes tremulam nas árvores, seja em Nova Iorque ou em São Paulo.
Ninguém sabe ao certo se o aniversário de Jesus acontece mesmo no dia 25 de dezembro. Astrônomos e estudiosos de astrologia tentam entender se o que houve naquela época foi uma conjunção dos planetas Saturno e Júpiter, o aparecimento de um cometa ou a explosão de uma supernova. Teorias mais correntes dizem que houve uma conjunção dessa magnitude 7 anos antes do nascimento de Jesus. Isso significaria que estaríamos 7 anos atrasados.  Outras teorias dizem que Jesus deve ter nascido em maio ou em agosto, meses mais quentes, justificando o fato de pastores estarem fora com suas ovelhas, o que jamais aconteceria no inverno.
Tenha nascido em maio, agosto ou dezembro, Jesus Cristo é o homem mais importanto do nosso tempo, um divisor de águas da humanidade. Seu nome vem da versão em grego de Joshua ou Jeshua, que significa
"salvador".  Cristo é a tradução grega para o hebreu " messiah", ou "escolhido".

Fonte: Natal - Biba Arruda e Mirna Grzich - Editora Três
           Símbolos de tradições do Natal-  A Gazeta de S. Paulo - 21/12/1961
           Imagem: google

domingo, 30 de outubro de 2011

UM POUCO MAIS SOBRE INSTRUMENTOS MUSICAIS - SUAS HISTÓRIAS, SUAS FUNÇÕES

A água correndo por um riacho; o vento inclinando as folhas; o fogo alastrandos-e pela floresta; a chegada da primavera; a paixão de um homem por uma mulher; a trágica morte do ser amado; a alegre comemoração de um casamento. Os exemplos seriam intermináveis, e o mais surpreendente é que todas estas impressões podem não ser transmitidas por palavras, mas sim por SONS. É a magia da música, "uma outra vida dentro da vida", como disse Balzac. Seu poder é reconhecido: ela é capaz de influenciar ou entusiasmar, de nos alegrar ou entristecer; de despertar ternura ou agressividade.
E, para transmitir toda a gama de emoções experimentada pelo compositor, no momento da criação de sua obra, é preciso que o instrumento musical seja adequado. A função deste é passar, para quem ouve, fatos, pensamentos, sentimentos, impressões - às vezes toda uma história - concebidos pelo autor.  Não se pode, por exemplo, tocar uma música sacra com uma guitarra elétrica, assim como um violino não transmite corretamente as vibrações do jazz. Este tipo de música exige clarinetas, trombones, baterias e outros instrumentos que vibram. Músicas etéreas devem ser tocadas com harpa; as medievais ficam perfeitas com flauta; as sensuais ou melancólicas adaptam-se melhor a instrumentos de sopro, que despertam a idéia de calor. Já o sonho, o lirismo, as emoções mais sutis encontram ressonância impecável nas cordas de um violino.
À medida que a música se aprimora, nessa passagem de sentimentos e sensações, os instrumentos vão ficando mais requintados e aperfeiçoados. A era atual criou o órgão eletrônico, capaz de reproduzir os sons de quase todos os instrumentos, bastando para iso mudar seus registros, programando-o como se faz com um computador. Milênios se passaram para se chegar a este ponto. Escavações arqueológicas feitas no século passado, nas décadas de 50 e 60 , em Mezin, na Ucrânica, revelaram a existência de instrumentos musicais da era paleolítica, com cerca de 20 mil anos. Entre eles, chocalhos de marfim, "pulseira sonora", martelo de chifre de rena e outros feitos com ossos de mamute.
No Ocidente, há indícios de que desde os fins do Império Romano já existiam orquestras, embora só depois do século XVI é que elas começaram a ter as características das atuais. Apenas no século XVII é que os violinos passaram a fazer parte dela, especialmente nas igrejas e, progressivamente, seu número de instrumentos foi aumentando.
No século XVIII, uma orquestra pequena, comum, era constituída por dois violinos, dois oboés, duas trompas e dois contrabaixos. Harpas, flautins, corne inglês, bombo e pratos passaram a integrar as orquestras no século XIX. Beethoven aumentou o número de instrumentos e Wagner criou dimensão maior: a quantidade e a variedade deles passaram a ser quase as mesmas usadas atualmente: violinos, flautas, flautins,clarinetes, trombetas, trombones, bateria e outros.
No século XX,  a orquestra, em geral, passou a ser dividida em quatro grupos de instrumentos: os de corda, os de sopro de madeira; os de sopro de metal; os de percussão. Cada grupo tem um naipe que imita a voz humana. O violino possui o som do soprano; a viola, do contralto ( ou alto); o violoncelo, do tenor, o contrabaixo, do baixo. Uma exceção é o flautim que vai além desses sons e atinge um tom muito raro, correspondente ao sopranino.
Uma sinfônica ou filarmônica, geralmente, compôe-se de cerca de cem instrumentos; uns sessenta de corda; uns quinze de madeira; uns doze ou treze de metal e uns dez ou doze de percussão. Mas já houve e ainda existem orquestras bem mais numerosas. Fantástica, mesmo, foi a dirigida por John Strauss, em Boston, no Dia da Independência. Cerca de 10.000 músicos acompanharam quase 20.000 cantores com cem sub-regentes transmitindo o comando de Strauss para os milhares de executantes.

Um pouco da história e das funções dos principais instrumentos que compõe uma orquestra

Instrumentos de corda: Violino, Viola, Violoncelo, Contrabaixo e Harpa.
Eventualmente entra o Piano, instrumento de corda e de teclado, assim como o Órgão

VIOLINO


Tem quatro cordas e um arco e, para ser tocado, é mantido sob o queixo. Geralmente é o responsável pela melodia, pelo solo. Quase sempre é o grupo mais numeroso da orquestra, e de som mais agudo - só superado pelo flautim.
Stradivarius produziu os melhores exemplares e seu nome é sinônimo de perfeição nesses instrumentos. Os poucos com esta marca, ainda existentes, são considerados raridades.
Acredita-se que o violino surgiu no século XVI, com as características atuais, embora já existisse em outras formas. Há quem ache que ele é descendente do alaúde, instrumental árabe de origem remota.
Um dos mais famosos virtuoses do mundo foi Niccolo Paganini, falecido em 1840.

VIOLA


Um antigo tipo de violino, um pouco maior e com som mais profundo do que este. De timbre muito expressivo, chamado de "alto",  pelos franceses, provavelmente por reproduzir este tom da voz humana. Consta que esse instrumento é uma variante de outros da época medieval, tais como a "viola do amor" que esteve no auge durante o século XVII e o rabel, um instrumento semelhante na forma e no som, que era tocado pelos pastores, enquanto trabalhavam.

VIOLONCELO


Tem quatro cordas e arco. Até há alguns séculos, era usado com acompanhante, mas a partir de Beethoven muitos compositores deram-lhe destaque, especialmente para expressar, em solo, a música dramática.
Pablo Casals foi o maior violocenlista dos últimos tempos.


CONTRABAIXO


Instrumento de cinco cordas e arco, da família dos violinos, violas e violoncelo. É o maior de todos e o de tom mais grave. Por volta do século XVI era usado em igrejas com o nome de violão. Foi levado às orquestras no século XVIII. Seu papel principal é reforçar os baixos da orquestra.
Mozart, Wagner, Berlioz e outros compositores elevaram o contrabaixo à categoria de instrumento solista, em diversas obras, por sua capacidade de produzir notas profundas, fortes de grande potência.


HARPA


Um dos instrumentos de corda mais antigos. Foram encontradas representações da harpa nas necrópoles de Tebas no século XVIII a.C. Ainda conserva a forma original, embora tenha aumentado de tamanho. Era usada suspensa no pescoço por uma grande correia ou cinta. No começo do século XVII de nossa era, já era tocada na Itália.  Erard, seu aperfeiçoador ( hoje marca principal deste instrumento, na França), construi-a com 47 cordas e sete pedais - como é conhecida na versão atual.

PIANO


A não ser que se trate de um solo, no qual ele tenha o papel principal, só raramente o piano é usado na orquestra. Há quem o inclua na categoria de instrumento de corda e teclado, assim como o órgão. Este é muito pouco utilizado em orquestra e, em sua visão convencional, está associado à música sacra. Mas, como foi dito, em sua versão atual é capaz de reproduzir quase todos os sons de uma orquestra.



Instrumentos de sopro de madeira: Flauta, Flautim, Oboé, Corne Inglês, Clarinete, Clarinete baixo, Fagote, Saxofone.

FLAUTA



Originou -se na antiguidade. Até o Renascimento havia três tipos diferentes. Atualmenté, é composta por um tubo que pode ser dividido em três partes.  O instrumento também é chamado de flauta transversa.
Alguns compositores, como Mozart e Bach, escreveram sonatas e concertos especialmente para flauta.

FLAUTIM


É o instrumento mais agudo da orquestra moderna. Pertence à família da flauta. Seus sons mais agudos, altos e firmes, servem especialmente para descrever cenas fantásticas, barulhentas, movimentadas.


OBOÉ



Diferente da flauta e de outros instrumentos de sopro, por possuir palheta dupla. Sua origem é antiga, e alguns de seus modelos primitivos aparecem desenhados em monumentos egípcios. Nos  séculos XVII e XVIII, era usado para animar danças. Seu volume de som e seu timbre fizeram com que fosse muito adotado em óperas e em algumas obras de Bach e Haendel. Desde Schumann, é um dos instrumentos preferidos pelos compositores.


CORNE INGLÊS

É uma variedade de oboé. Seu mecanismo é igual ao deste, mas tem tubo mais comprido e largo. Incluído excepcionalmente em orquestras sinfônicas, quase sempre em solo.
Berlioz considerava-o o melhor dos instrumentos de sopro, para comover ou evocar imagens do passado.

CLARINETE



Consta que foi inventado por Denner, de Nuremberg, entre os anos de 1670 e 1700, tendo sido um aperfeiçoamento da antiga charamela usada pelos pastores. A partir de 1750, começou a ser incluído nas sinfônicas. Há varios modelos deste instrumento.
Mozart foi o primeiro compositor a aproveitar todos os recursos que ele oferece. Beethoven empregou-o na maior parte de suas composições e Berlioz deu-lhe um papel importante em   " Queda de Tróia". A "Valsa de Chopin" utiliza 24 clarinetes.
Existe também o instrumento de metal ( hoje, quase todos os de sopro são feitos nos dois materiais), mais adotados nas bandas militares.



                                                 Clarineta de Metal


CLARINETE BAIXO



É uma das variações do instrumento e produz tons mais graves que o anterior. Diz-se que foi criado pelo italiano Papalini, embora muitos achem que quem o inventou foi o alemão Greuser em 1793. Geralmente é usado em orquestras grandes e obras modernas.

FAGOTE


O fagote possuiu palheta dupla e é parecido com o oboé, no modo de soprar. Tem grande força de expressão, nos tons mais baixos, enquanto os mais altos podem produzir um efeito cômico.
Começou a participar das orquestras a partir do século XVII.

CONTRAFAGOTE


Com um tom mais baixo do que o fagote, é semelhante a este instrumento, mas aparece principalmente em orquestras grandes e obras modernas. A princípio, só utilizavam em bandas militares, na Inglaterra.

SAXOFONES


( soprano, alto, tenor e baixo): foram inventados pelo belga Adolphe Sax, em 1838 e tiveram grande aceitação por parte de Berlioz, mas não conseguiram um lugar de destaque na orquestra sinfônica, e quando aparecem é em geral como solistas.
Foram introduzidos com sucesso no jazz, sendo um de seus instrumentos principais. Firmaram-se também nas bandas militares de vários países. Seu manejo é semelhante ao do clarinete.


Instrumentos de sopro de metal: Trompa, Trombeta, Trombone, Tuba

TROMPA



de latão, bronze, cobre, prata ou outro metal - como a maioria de instrumentos de sopro feitos desse material - ela é formada por uma boquilha e um tubo enrolado, que termina num pavilhão aberto. Seu mecanismo de pistões permite que emita todos os graus da escala de sons. Descendente da trompa de caça, esta versão moderna tem um som belíssimo e é importantíssima na orquestra.
Haydn e Mozart deram-lhe destaques em vários de seus concertos e sinfonias, mas quem a utilizou com brilhantismo foi Wagner.


TROMBETA


Existe desde a antiguidade, quando era feita de cornos de animais, conchas ou tubos vegetais. Atualmente, com um sistema de pistões, emite todas as notas da escala o que lhe possibilita muitas variações.
Importante na orquestra, foi incluída nesta depois do século XVI.

TROMBONE



Geralmente de cobre, é formado por um tubo cilíndrico e varas corrediças, que transformam a altura dos sons. É um instrumento muito antigo, que tem sonoridade nobre e potente, mas também pode ser doce.
Há três tipos: o trombone contralto, o baixo e o tenor. Este último é o mais usado. Existe ainda o trombone de pistões ( estes substituem as varas).

TUBA



O maior instrumento de sopro; o de som mais grave e profundo. Existia no tempo dos antigos romanos, mas não na forma atual. Era, então, comprida e reta. A forma que tem hoje data do século XIX.
Wagner mandou construir um quarteto de tubas, com modificações, para suas representações em Bayreuth. Ficaram conhecidas como  as " tubas de Wagner."


Instrumentos de Percussão: Bombo, Pratos, Tambor, Timbales, Triângulos e outros

BOMBO




um tambor imenso, que produz os sons sob o impacto da batida de uma ou duas baquetas ( varas) de madeira. Já existia na antiguidade, em proporções ainda maiores. O instrumento era tão grande que exigia duas pessoas para tocá-lo: uma carregava-o nas costas e a outra dava os golpes com as baquetas.
Alguns autores afirma que foi Rossini quem o introduziu na orquestra; outros dizem que foi Spontini.

PRATOS





Este instrumento também chamado de Címbalo, nasceu no Oriente, e é formado por dois discos de metal ( liga de bronze e estanho). Quanto mais grossos seus pratos, mais agudo seu som;  quanto maior seu diâmetro, mais grave a sonoridade. Os pratos são tocados com uma baqueta ( pequena vara de madeira) de tambor.
Em a "Queda de Tróia", Berlioz conseguiu um efeito surpreendente, comovedor, com tremidos de címbalos.

TAMBOR


Bem menor do que o bumbo, este instrumento de percussão é tocado com dois pauzinhos, que ao baterem numa membrana de pele produzem as vibrações.
Originário do Oriente, apareceu na Europa em fins da Idade Média, mas desde a antiguidade já era conhecido.

TÍMBALES



conhecidos desde a antiguidade, são formados por uma caixa semi-esférica de cobre, com a parte de cima revestida de pele de animal. Sempre são usados dois ou três deles. Podem ser afinados com exatidão e de várias maneiras, durante a execução - o que não ocorre com os outros instrumentos de percussão.

TRIÃNGULO


composto por uma vara de aço, dobrada em forma triangular, com um dos ângulos aberto. É tocado com um pequeno martelo de metal.  O triângulo-  assim como os pratos, o gongo, as castanholas e outros instrumentos de percussão - é usado para a produção de efeitos especiais, sem altura definida de som.



FONTE: Suplemento Feminino - O Estado de São Paulo (4-7-1982)
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