segunda-feira, 22 de maio de 2017

NOEL ROSA E "OS BAMBAS DO ESTÁCIO" - "ASES DO SAMBA" - e "GENTE DO MORRO" -III





O grande cartaz da época era Francisco Alves. Com Ismael Silva e Nilton Bastos, formou os “Bambas do Estácio”, responsáveis, entre outros, pelo famoso SE VOCÊ JURAR.           Nilton faleceu em setembro de 1931, e o conjunto terminou. Em março de 1932, Chico Alves formava com Mário Reis e Lamartine Babo, os “Ases do Samba”. O sucesso conseguido em São Paulo levou-os a programar uma excursão ao Rio Grande do Sul. Mas surgiram problemas na escolha dos acompanhantes. Finalmente no dia 29 de abril, apresentaram-se em Porto Alegre, no Cine-Teatro Imperial:  Chico Alves, Mário Reis, Noel Rosa, o pianista Nonô (Romualdo Peixoto) e o bandolinista Peri Cunha. A temporada estendeu-se por várias cidades do interior gaúcho, Florianópolis e Curitiba. Só voltaram ao Rio em Junho, momento em que Chico Alves resolveu criar novo trio de compositores, com Ismael Silva e Noel Rosa. ADEUS,  GOSTO MAS... NÃO É MUITO, ASSIM, SIM e PARA ME LIVRAR DO MAL foram as primeiras composições dos novos parceiros.
A relação entre Noel e Francisco Alves não eram apenas musicais. Noel comprou de Chico um Chevrolet usado, e, para pagar, fez o seguinte trato: Chico controlaria seus rendimentos com shows e direitos autorais das gravadoras, separando 50% para pagamento da dívida.  Além disso, algumas composições do trio eram apenas de Noel  e Ismael, entrando Chico Alves apenas com o nome e a fama.  Alguns versos de Noel revelam o clima da parceria:
 “antes da vitória/ não se deve cantar glória./ Você criou fama,/ deitou-se na cama./ Eu que não estou dormindo/vou subindo.../ vou subindo.../ enquanto você vai decaindo (VITÓRIA, de Noel e Nonô).  Ou estes versos inéditos “ e no fim da irradiação/ Vem a voz do violão/ que é mais antiga que o Casé/ Dona da minha vontade/ saiba Vossa Majestade/ que cantarei o que quiser”. “A VOZ DO VIOLÃO “ é referência a Chico Alves.
Cantaria o que quisesse e com que quisesse, tanto que, em março de 1934, integrava, com Benedito Lacerda, Russo do Pandeiro, Canhoto e outros, o grupo “Gente do Morro”, numa excursão  a Campos, Muquie Vitória. A viagem fracassou, Noel Rosa ficou algum tempo na capital do Espírito Santo e só voltou quando acabou o pouco dinheiro  que ganhara na excursão (pois sua mãe suspendera definitivamente as remessas).






                                                                 AS PASTORINHAS

“Noel era o tipo de sujeito que se dava com todo mundo”, afirma seu amigo e caricaturista Antônio Nássara. Além disso, sua facilidade para fazer versos e rimas atraía sempre novos parceiros. Obras-primas surgiram de seu único trabalho  com Heitor dos Prazeres ( PIERRÔ APAIXONADO), com Orestes Barbosa (POSITIVISMO),  com André Filho (FILOSOFIA), e Rubens Soares (É BOM PARAR). Hervê Cordovil, Lamartine Babo e João de Barro (PASTORINHAS) foram constantes parceiros em músicas de carnaval. Mesmo com Kid Pepe, boxeador famoso por ameaçar locutores de rádio, Noel fez  O ORVALHO VEM CAINDO e TENHO RAIVA DE QUEM SABE,  esta última , ao ser gravada, foi apresentada como sendo de Pepe e Zé Pretinho. Por ter reclamado,  Almirante conta que “Noel acabou levando um bofetão de Pretinho”.  A resposta não demorou: Noel fez o samba SÉCULO DO PROGRESSO, onde “o revólver teve ingresso pra acabar com a valentia”.



                                                          PIERRÔ APAIXONADO


 FONTE: Nova História da Música Popular Brasileira –
              Abril Cultural – 1976
FOTOS: Google
VÍDEOS: Youtube



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