terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

BRASIL FOLCLÓRICO- III - REGIÃO SUDESTE - SÃO PAULO

SÃO PAULO




O paulista madrugou no processo de civilização da terra descoberta – o Brasil. Em 1532, a capitania de São Vicente foi doada a Martin Afonso de Souza.
Eram mais de cem léguas da costa; separando o litoral  estava a serra do Mar com as suas florestas e os seus perigos, mas os paulistas do litoral  de São Vicente desbravaram as florestas, subiram a serra e alcançaram o planalto.
Martin Afonso de Souza a fundar Piratininga no planalto em 1532, e depois Manuel da Nóbrega, ao edificar, em 1554, o Colégio de São Paulo nos mesmos campos, sonhavam chegar ao Peru, percorrer  Peabiru, apossar-se dos tesouros ou dar maior amplitude ao domínio português.
Os paulistanos não ficaram parados na vila de Piratininga.  Não se limitaram às cercas e aos muros que envolviam São Paulo de Piratininga e partiram. Para quê? Para expandir-se. Esse é o destino do paulista. O português miscigenou-se logo com a índia, surgindo o mameluco, trazendo do português o desejo de vencer mares e terras e do índio, a vontade de andar, ser nômade, não se fixar.
O Brasil precisava de mão-de-obra para trabalhar nos canaviais. Os paulistas organizaram bandeiras (expedições armadas que partiram para o interior) para capturar índios, “prear índios”. Mas o índio não se adaptou ao trabalho sedentário, e aí veio o escravo negro, da África, trazido pelos portugueses para substituir o indígena.
As bandeiras paulistas tinham também outra meta: descobrir ouro e pedras preciosas.
O café penetra nas terras paulistas no fim do século XVIII. Surgem as fazendas. O polo econômico brasileiro deixa de ser o Nordeste, com os seus engenhos de açúcar, e o café foi o responsável pela industrialização de São Paulo.
No litoral paulista permaneceu o mameluco (mestiço de índio e branco). O caipira paulista é também o mameluco, é o paulista legítimo que tem dentro de si a valentia lusitana e a calma do índio.
Os imigrantes chegam a partir de 1877- italianos, alemães, sírios, japoneses.  São Paulo tornou-se uma cidade cosmopolita – mistura de línguas e costumes.

DANÇAS

  


 A CONGADA

A presença deste bailado popular é assinalada no Brasil-Colônia, no tempo dos vice-reis, do Ceará ao Rio Grande do Sul.
A congada é uma adaptação da “canção de Rolando”,  epopeia francesa que chegou até nós através dos jesuítas, dos colonizadores, que a usavam na obra de conversão, da catequese.  No passado, a congada tinha a função de sublimar o instinto guerreiro do negro, criando uma luta irreal de cristãos e pagãos (mouros).
Na congada existem dois grupos de negros, que entram em luta, é a luta do Bem e do Mal.  O Bem é representado pelos cristãos; o Mal é o grupo dos mouros.  O Bem usa roupa azul; o Mal,  roupa vermelha.  Há lutas, embaixadas, cantos, e sempre os cristãos vencem os mouros, que são batizados. E todos juntos fazem a festa em louvor a São Benedito, padroeiro dos negros, em todo o Brasil.
As violas, o canzá (reco-reco), caixas, tambores acompanham os cantadores.
A congada é um dos mais notáveis bailados populares do Brasil, sendo grande atrativo das festas do Divino Espírito Santo, na região Sul do país.  A congada é a canção épica da catequese em terras brasileiras.



“Eu chamei você Roldão
Prá vim se armar
E em campo de batalha
Com os turcos pelejar.
Rei Carlos Magno
Tome sentido e cuidado
Se não tiver amor na vida
Avance então do meu lado

Turco tu não sabe
Que Carlos Magno é homem tão poderoso
Tu é valente por tua pessoa,
Mais do meu lado não venha
Que comigo termina à toa”. 
  

CONGADA: GUERRA SANTA

A congada é folclore artificial criado pelo catequista. Nos ”Navios Negreiros” chegaram escravos de diversos estoques tribais. As nações africanas eram inimigas entre si e a política da Igreja procurou manter essas nações e  evitar as revoltas que continuaram  no Brasil. Havia também a necessidade de evitar uma revolta contra o branco.
O folclore artificial mantinha em parte a velha tradição guerreira. Os negros no Brasil, nas suas brincadeiras, formavam tribos que se guerreavam – suas danças eram guerreiras.  A Igreja conseguiu transformar o instinto guerreiro do negro em cruzada religiosa.

Que hora tão bonita
Nosso batalhão chegou
Pra festejar o Senhor Divino
Que os festeiros convidou, ai, ai...

Eu quero pedir licença
Pro meu batalhão dançar
Pro senhor dono da festa
E pro povo deste lugar
Viremos de lá, viremos de cá
Meu Senhor divino vamos festejar.




O TERNO DE CONGADA é uma verdadeira confraria religiosa. Na Festa do Divino Espírito Santo, no interior de São Paulo, surgem os Ternos de Congada, com diferentes nomes. Seguem a orientação de um rei que dirige as danças e é ao mesmo tempo conselheiro-líder.  O padroeiro da Congada é São Benedito .
A EMBAIXADA é a parte dramática das Congadas. Depois dos desfiles, as Congadas se dividem em dois grupos – Cristãos e Mouros. A luta, como sempre, termina com o batizado de todos, que se tornam cristãos e finalizam a parte dramática cantando versos como estes, do Terno de Congada dos Periquitos:

Quem não viu periquito falar
Alerta os ouvidos e venha escutar...
Eu sou um príncipe guerreiro
Sou filho de Carlos Magno
Que neste reinado venho chegando
Com este atrevido general
Desejo ir encontrando
Quero que você me conte
O que você está ordenando
Com fervor de Deus esta  batalha acabou
A batalha está vencida rei do Congo que ganhou.


BATUQUE



O Batuque é uma dança de origem africana, do ritual da procriação. Foi severamente proibida na época colonial, pelos padres. Mas os fazendeiros fingiam que não viam, tinham grande interesse em aumentar o número de escravos.
É uma dança muito popular em algumas cidades do interior de São Paulo, nas festas do Divino Espírito Santo, ou nas festas juninas.
O Batuque é dançado  em terreiro ou praça pública. Uma fileira de homens fica ao lado dos tocadores. As mulheres ficam a uns 15 metros de distância. Então começa a dança, começam as umbigadas. Cada homem dançando dá três umbigadas numa mulher. Os músicos tocam; um batuqueiro “modista” faz a poesia, os versos. Há o solo e, em seguida, o coro é feito por todos os que estão batucando.
“Sai cinza,
Levanta pó,
Batuque na cozinha
Sinhá não quer,
Por causa do batuque
Queimei meu pé”


O FANDANGO



O Fandango frequentou palácios, fez saracotear a aristocracia brasileira, depois foi adotado pelo povo.
No Nordeste do Brasil fandango é um bailado popular, também chamado de marujada.
No Sul, fandango é uma dança individual, ou de pares, acompanhada em geral por violas.
As danças do Fandango recebem diversos nomes: andorinha, anu-chorado, anu-velho, chamarrita, chimarrete, gracinha, marrafa, manjericão, tontinha, tirana, tiraninha, pagará, monada, vilão de lenço, vilão de agulha, mandado.
No litoral paulista dividem o fandango em dois grupos: fandango rufado ou batido e fandango bailado  ou valsado, de acordo com os passos.
O fandango popularizou-se tanto que seus participantes passaram  a ser considerados vadios- fandangueiros.
Na cidade de Cananeia e em outras localidades da beira-mar paulista, o fandango rufado com passos marcados, com batidas de pé é dançado até a meia-noite.  Depois dançam os fandangos valsados, mais calmos... até que o dia aparece, então fecham as janelas das casas e começa a “saideira”, o fandango recortado, vivíssimo. É a despedida.

  “ Essa noite tive um sonho                                         Tirana é mulher velha
    Eu tive das dez para as onze                                     Sua filha é rapariga
    Sonhando com meu benzinho                                   Sinhá Tirana não quer
    Que estava de mim tão longe.                                  Que lhe tragam cantigas"






SAMBA-DE-LENÇO




O samba é uma dança de origem africana. A palavra “samba” significa umbigada, na língua angolana. Em São Paulo, ele é sambado no meio urbano – o samba de salão -, e no meio rural há três modalidades: samba-de-roda, samba campineiro e samba-de-lenço.
Essas três modalidades de samba são revividas e cultivadas no Centro de Foclore de Piracicaba, principalmente o samba-de-lenço.
No samba-de-lenço duas filas se defrontam. Nas filas ficam homens e mulheres com um lenço na mão, com o qual acenam para o cavalheiro, ou para a dama. A iniciativa de ir dançar pode partir do homem ou da mulher. O sambista sai da fileira e acena para a pessoa com quem quer dançar. Formam então o par dançante que dança no centro.
O instrumento musical fundamental para acompanhar a dança é a caixa, que varia de tamanho. Alguns sambas se apresentam com cinco ou seis caixas, outros com uma ou duas. Às vezes usam também pandeiros e guaiás (instrumento de percussão, espécie de chocalho).

“  Em Tietê
Fizeram cadeia nova
Marizinha,
Coitadinha
É criminosa

Menina, minha menina
Coração de melancia
Um beijo da tua boca
Me sustenta quinze dias”


              FESTAS

                                                   JOÃO PAULINO E MARIA ANGU



Nas festas do Divino Espírito Santo, na cidade paulista de São Luís de Paraitinga, existem muitos divertimentos profanos: cavalhada, moçambique, jongo, caiapó, João Paulino e Maria Angu, o Boi e a Miota.
João Paulino e Dona Maria Angu são gigantões de taquara armada que revivem a tradição portuguesa.
Um artista da cidade tece dois jacás (cestos) bem grandes, que comportem uma pessoa dentro. Depois colocam cabeças de papelão e braços de trapo.
Logo depois da procissão, João Paulino e Maria Angu saem para passear na cidade.  O tocador de bombo acompanha uma centena de crianças que fazem uma alegre confusão atrás do casal.  Ao entardecer o casal se recolhe à casa do império do Divino Espírito Santo.

O BOI E A MIOTA





O Boi e a Miota aparecem de vez em quando. A Miota é representada por uma boneca alta e magra. É feita com uma série de carretéis enfiados num cordel. A pessoa que vai dentro da armação puxa os cordéis movimentando a cabeça e os braços da Miota. O Boi defende a Miota da criançada. Os violeiros cantam versos em homenagem ao Boi.



OS IRMÃOS DA CANOA



A festa do Divino Espírito Santo nasceu de um voto coletivo da população ribeirinha, das margens do Tietê. A desgraça muitas vezes une os homens. O povo do Tietê, desolado pelas febres, no século passado, procurou a proteção do Divino Espírito Santo e a festa é uma das mais lindas e tradicionais manifestações de gratidão dos tietenses. Mas é também festejada em diversas partes do Estado de São Paulo.
As monções (expedições) continuadoras das bandeiras seguiam as águas lendárias do Anhembi ou Tietê. Os trajes dos romeiros da festa do Divino são semelhantes aos uniformes usados pelos portugueses de antigamente, assim como as armas: o trabuco e o bacamarte.
Os “Irmãos da Canoa” formam uma confraria sem estatutos, sem reuniões, sem diretorias, onde há disciplina e fraternidade. São dois grupos – irmão do rio-acima e do rio-abaixo. Sob os mesmo uniforme unem-se todos os devotos de uma só irmandade – a Irmandade do Divino Espirito Santo.  Seguem uma disciplina muito rígida quando estão trabalhando para o Divino. Não bebem bebidas alcóolicas e o seu trabalho é gratuito. Os grupos obedecem a um diretor (mestre) que é auxiliado pelo contramestre (o irmão andante) . A irmandade tem um regimento folclórico oral, não há nada escrito.
A folia é o grupo angariador de ofertas, chefiado por um violeiro famoso e um tocador de ferrinhos (triângulo) e outro de caixa.  O salveiro conduz o trabuco (espécie de espingarda)  para dar os avisos de partida. O bandeireiro conduz a bandeira, e a folia vai começar. Os foliões cantam nos pousos.
O último domingo de todos os anos é o dia máximo da festa: o ENCONTRO DAS CANOAS, as do rio-abaixo com as do rio-acima, festejado com rojões, bombas. A multidão delira! Romeiros, festeiros e autoridades seguem para a igreja matriz, onde a festa acaba.




“ O Divino Espírito Santo
Nessa bandeira sagrada
Vem vindo de casa em casa
Visitar as nossas moradas.

Vou subindo rio acima
Devagar, eu vou chegando
Entregar nossa bandeira
Pro festeiro deste ano.

A nossa linda irmandade
Rio acima vai subindo
Com gosto e satisfação
Para acompanhar nosso Divino”


MOÇAMBIQUE




Não sabemos a sua origem, embora o nome  leve muitos a dar-lhe origem africana. Mas não foi trazido pelos escravos.
É uma dança guerreira muito antiga. Na Inglaterra é conhecida como “morris dance”, dança moura.  Assemelha-se à dança dos pauliteiros de Miranda, cidade de Portugal.
Pode ter sido praticada pelos mouros na península ibérica e não foi difícil ao catequista português, aproveitá-la na catequese como precioso fator de recreação popular.
O canto é um louvor a São Benedito. Daí a lenda de que foi este santo quem inventou a dança para alegrar seus devotos:

Essa dança é de São Benedito
São Benedito foi quem dançou
Ele dançou e subiu pro céu,
Hoje dançamos nós pecadores.

No bailado do Moçambique existem várias danças: a parte dramática é insignificante. As danças têm nomes religiosos: Escada de São Benedito, Estrela da Guia, etc.
A confraria dos moçambiqueiros é mais folclórica do que a das congadas. A maior parte dos participantes é jovem.  O regulamento é oral e são normas simples, criadas pelos grupos que as dirigem.
Para dançar usam bastões de madeira que são batizados como espadas e que batem como instrumentos musicais, ou criam desenhos no chão. Um de cada vez vai dançando sobre os desenhos. Saltam e desenvolvem uma coreografia complicada sob o comando do tarol (caixinha de guerra), reco-reco,  pandeiros, rabeca, tamborins, violas. Cantam louvações religiosas. 
O ponto maior da presença do Moçambique é no Vale do Paraíba do Sul, entretanto também é encontrado no Rio de Janeiro, Minas Gerais, Mato Grosso e Goiás.

      De tão longe venho vindo, pelo chão e pelo ar
      Pelo chão de uma estrela, numa noite de luar. 
Pelo clarão de um dia, numa noite de luar
            Pelo clarão de uma estrela, passei a onda do mar.





                                                                FESTAS JUNINAS



                                                                   FESTA DE SÃO JOÃO

A  festa de São João é profundamente humana e revive rituais do fogo, no culto a um santo da Igreja Católica: São João Batista – o precursor de Cristo.
A festa é realizada na véspera do seu dia e se faz presente em todas as áreas culturais brasileiras, girando sempre em torno do fogo.  Na festa tiram sortes, prevendo o futuro, os casamentos, as viagens. Come-se muito, durante toda a noite, comidas assadas nas fogueiras. Dançam quadrilha, fazem “casamentos da roça”, bebem cachaça, quentão.
A fogueira é geralmente acesa pelo dono da festa, o dono da casa, logo que o sol se põe, soltam os balõezinhos que sobem levando recados, pedidos para o santo.   
Os foguetes espocam pelos quatro cantos da cidade.

São João adormeceu
No colo da sua tia
Se meu são João soubesse
Quando é o seu dia
Descia do céu na terra
Incendiando de alegria

São João de onde veio
Que veio todo orvalhado
Veio do rio do Jordão
Veio daquele rio sagrado

Meu São João Batista
Filho de Santa Isabel
Batizou o Jesus Cristo
Por nome de Emanuel.





SANTO ANTONIO

A devoção a Santo Antônio é muito grande e o santo é invocado para achar casamentos e coisas perdidas. Santo Antônio já chegou a receber soldo de coronel do Exército nacional, até o princípio da República... Floriano Peixoto deu baixa a Santo Antonio. O santo sempre foi tratado com muito carinho mas recebe estranhos castigos, quando os pedidos não são atendidos. Por exemplo: colocam o Santo  de cabeça para baixo dentro de um poço até que a graça seja alcançada.

Meu querido Santo Antonio
Feito de nó de pinho
Me arranje um casamento
Com um moço bonitinho

Meu querido Santo Antonio
Feito do nó de pinho
Com vós arranjo o que quero
Porque eu peço com jeitinho...




           SÃO PEDRO             

A Festa de São Pedro e São Paulo, também chamada de Solenidade dos Santos Pedro e Paulo, é uma festa cristã, em honra ao martírio em Roma dos apóstolos São Pedro e São Paulo, que é observada em 29 de junho. A celebração tem origem muito antiga, sendo a data escolhida sendo ou o aniversário da morte ou do translado das relíquias dos santos. 


A FESTA DA FOLIA DO DIVINO

Estudiosos portugueses informam que a Festa do Divino Espírito Santo é de origem alemã. Outros afirmam, ter sido introduzida em Alemquer, Portugal, pela rainha Isabel, esposa de D.Dinis, o lavrador-rei.

O IMPÉRIO DO DIVINO

O Brasil, nos fins do século 18, era colônia, mas de há muito existia nas vilas e freguesias, um Império... o do Divino.  Erigido por ocasião das festas que lembram a descida do Espírito Santo.
É uma festa de consumo após a colheita, uma festa de agradecimento. Nesta ocasião aparecem  as Cavalhadas, Touradas, Moçambique, Congadas, Caipó, Batuque, Jongo, Cateretê, de acordo com as regiões.
Um grupo de cantadores – os foliões do Divino – percorrem as ruas pedindo prendas e óbulos para a festa.




Como símbolo carregam a bandeira vermelha, onde está a figura do Divino – uma pomba. A bandeira é tratada com o máximo respeito, sendo-lhe atribuídos dons especiais, medicinais e preventivos. Quando a folia do Divino visita uma casa, os foliões permitem que os doentes passem a bandeira em suas camas. Passam na cabeça das crianças para criar juízo, ou não perdê-lo.

Meu senhor dono da casa
Deus veio lhe visitar
Salve a sua saúde
E a família como está?

O Divino também pede
Um lugar no seu altar
Que esta pomba verdadeira
Está cansada de voar.

A todos desta boa casa
Veio o Divino visitar
E pra sua grande festa
Uma esmola vem tirar

O Divino lhe agradece
A sua bonita esmola
Mais bonita há de  ser
A sua chegada na glória

Agradecemos sua esmola
Dada de bom coração
O Divino concederá
A todos salvação





INSTRUMENTOS MUSICAIS

RABECA

A rabeca é um cordofônio (instrumento de cordas vibradas por fricção). É uma espécie de violino rústico de quatro cordas: lá, ré sol, sendo uma dupla, afinada uma oitava acima. É tocada por um arco feito de crina de animal. O corpo da rabeca é construído de cedro, sendo a caixa sonora escavada e o tampo pregado com pregos de madeira dura, preta (brejaúva) e cola vegetal.
De som fanhoso e tristonho, nas folias do Divino Espirito Santo é uma nota característica de beleza e ternura, acompanhando o cantochão acaipirado, cantado pelos foliões pedintes.
A rabeca é irmã gêmea da viola nas festas tradicionais: Divino, Moçambique, Congadas, Fandangos, Dança de São Gonçalo, Folia de Reis.

Aqui chegaram os Reis
Cantando com rabeca e  viola
Pedindo para os moradores
Uma prenda de esmola 



UMBANDA  -  RITO

 Os cultos africanos, que embora reprimidos eram realizados pelos escravos ajudados pelas travas da noite.
No Império, fugindo às formas de repressão, os candomblés se relacionaram com a religião dominante, o catolicismo romano.
Na República, quando florescia o espiritismo, surgiu uma nova espécie de culto - a umbanda, com influência espírita e indígena.
Os tambores infunde, pela magia do ritmo e do canto, o chamamento a congregar homens de todos os níveis sociais, nos terreiros de umbanda.
Há a "possessão" pela divindade, que "baixa" numa determinada pessoa. Na forma atual deste culto há uma divisão - Lei de Umbanda, ou magia branca, e Lei de Quimbanda, ou magia negra.

A Lei de Umbanda é um culto religioso, mágico, dirigido por um  chefe de terreiro - o babalorixá, sacerdote que estabelece a ligação entre o mundo material e o espiritual. O espírito supremo é Olorum; Obatala é o Pai, Oxalá é o Filho, e Ifá é o Espírito Santo.
As divindades masculinas são Xangô, Ogum, Oxossi, Ogum- megê, Iroco, Oloxum, Ibejê.
As divindades femininas ~soa: Iemanjá, Anamburucu, Oxum, Iansã, Obá.




VÍDEO  - LAMPIÃO DE GAZ - INEZITA BARROSO


FONTE: Histórias, Costumes e Lendas 
               Editora Três - 1987
IMAGENS: Google
VÍDEO: Youtube

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